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SBT APOSTA NA TORCIDA DOS FÃS

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Indonésia usa caso de Andressa Urach para destacar "Miss Bumbum"

Por Helder Miranda
Em novembro de 2015

Principal jornal da Indonésia, o "Banjarmasin Post" usa caso de Andressa Urach para dar destaque ao concurso "Miss Bumbum", e fez duras críticas ao número excessivos de cirugias plásticas feitas no Brasil. Não dá para entender nada do que eles escreveram, mas não deixa de ser interessante: https://t.co/I3sAyNX0ib.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"A Fazenda 8": afinal, o que é ser homem para Marcelo Bimbi?


Por Helder Miranda
Em outubro de 2015

Marcelo Bimbi disse que é o único homem nesta edição de “A Fazenda”. Mas afinal, o que é ser homem para ele? É ser truculento e tratar outra mulher como se fosse um lixo, como vem mostrando a quem quiser assistir um vídeo postado na internet? A máscara do modelo vem sendo demonstrada aos poucos, principalmente quando conquistou na sorte o cargo de fazendeiro e ficou ameaçando de colocar na berlinda todos os que o incomodassem.

A própria modelo Veridiana Freitas, que não é bem um exemplo de comportamento e originalidade dentro da casa, tratou de mostrar para fora quem Marcelo realmente é. “Você puxou meu cabelo?”, questionou ela durante a segunda festa, após dar uns beijos nele. Ele tratou de negar, disse que se enganou, mas o que ele estava tentando era lançar mão da truculência para passar a imagem de macho-alfa. E quando disse que era “o único homem da casa” desmereceu a todos. Porque, vamos combinar que, se quer passar essa imagem, primeiramente deveria dar um jeito naquele topete ridículo em que ele não para de mexer. 

Thiago Servo, que na verdade não tem esse nome (vi, recentemente, numa entrevista de Thaeme no programa “The Noite”) ganhou poucos pontos comigo quando o colocou no lugar. “Não sou amigo de quem acha que não sou homem”, ele disse. Marcelo tentou argumentar de alguma maneira, dizendo que era uma brincadeira, mas Thiago disse que era uma brincadeira sem-graça, o que de fato é, e vou além, uma brincadeira que desmerece a todos e o enaltece. 

Não acredito que um participante assim siga longe, o que não deixa de ser um alívio. Pessoas assim, do alto de seus egos inflados, são as que se perdem muito antes de alguém fazer isso por elas, tentando desestabilizá-las. Marcelo menospreza os oponentes de maneira nunca antes vista em uma edição de “A Fazenda”. Tem profundo desprezo pelos participantes masculinos e, mais ainda, pelas mulheres da casa. 

Já Thiago, após vencer a berlinda com Amaral, volta com ares de campeão. Um campeão precipitado, dito por ele mesmo que, sem falar nada, mas pelas atitudes que vem demonstrando, se autoproclamou assim. E com isso vem exagerando no sotaque, na fala mansa, no “amor” desesperado, verdadeiro e profundo com a ex-“Panicat” Minerato, com quem já ficou algumas vezes fora do confinamento... Ah, gente... Compra quem quer!  A dupla, aliás, encontrou o script perfeito para tentarem arrebatar o público.

Minerato vem imitando Íris Stefanelli, participante da sétima edição do "Big Brother Brasil", seja exagerando no sotaque caipira, seja sendo a ogra romântica, seja no visual. Mas bastou a segunda festa para deixar a sua verdadeira natureza se mostrar diante das câmeras. Dançou de calcinha, beijou mulheres... Thiago, mais uma vez, tirando toda aquela carcaça de personagem, agiu certo. Mas ambos sabem que tanto um, quanto o outro, são necessários para o jogo mesquinho que estão fazendo, de enganarem parte do público em troca de uma vitória. Como muitos sabem, o verdadeiro vencedor não é aquele que ganha em si, mas o que consegue capitanear para si o afeto do público. Valesca Popozuda, vinda de uma edição em que efetivamente não brilhou, é a única que, de fato, teve uma sobrevida – de sucesso – fora de “A Fazenda”.

Mas voltando aos scripts, Veridiana, coitada, segue tentando ser Nicole Bahls ou a própria Andressa Urach e em Lorena Bueri.Busca o conflito pelo conflito. Tornou Mara um desafeto sem que ela tenha feito absolutamente nada contra ela para... render edição? O que foi aquela cara de doida, enquanto peitava Thiago Servo, e o falava “verdades” na cara dele? “Quero ver você e Mara no banquinho da roça!”, desafiava ela. Até Mara, apagadinha diante de todas essas baixarias, consegue ser o centro das atenções. Mas o foco deixou de ser ela que, certa, não se envolve naquelas bobagens de ficar nadando de calcinha e encenando putarias para aparecer na edição. Essa fala de Veridiana a Thiago Servo, que até elogiou a postura da ex-apresentadora infantil, demonstra uma coisa: todos, absolutamente todos, estão com medo de enfrentar Mara em uma possível berlinda.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Entrevista com Marien Carretero, participante do BBB 13

"Sim, você está na televisão, mas na pior exposição possível"
Marien Carretero
Por Helder Miranda
Em abril de 2015


Nascida na cidade de Belo Horizonte, em berço de bailarina, Marien Carretero iniciou seus estudos na dança espanhola e balé clássico desde muito jovem. Na adolescência já participava de grandes produções e ajudava sua mãe Fátima Carretero com a Cia. de Dança Flamenca em Minas Gerais. Amante dos palcos, Marien também cursou interpretação para TV, Teatro e Cinema. E foi na sua própria cidade que recebeu o convite que lhe renderia grande visibilidade na mídia nacional. 


Em 2013, a mineira descendente de espanhóis foi uma das selecionadas para participar da 13ª edição do Big Brother Brasil, programa exibido pela Rede Globo de Televisão. Atualmente Marien divide sua carreira como bailarina de flamenco, mestre de cerimonias e presenças vips. A artista já está de malas prontas para morar em São Paulo, onde já tem grandes projetos para 2015. 

Nesta entrevista, uma parceria entre os sites Resenhando.com, Votalhada e o blog Televizinha, ela conta absolutamente tudo a respeito do que as pessoas gostariam de saber sobre o confinamento no principal reality show do país.


TELEVIZINHA - Como a dança espanhola e balé clássico entraram em sua vida? 

MARIEN CARRETERO - A dança entrou na minha vida pelo fato de minha mãe ser bailarina,​ coreógrafa e diretora de uma companhia de balé flamenco. Ela tem formação clássica, foi a primeira bailarina do teatro Palácio das Artes na sua juventude, antes de entrar para o mundo flamenco,e dança clássica é a base para todas as danças. Comecei no balé aos quatro anos! No flamenco, atuo como umas das principais bailarinas da companhia da minha mãe, a Cia. de Baile Fátima Carretero, e sempre estamos nos apresentando em grandes teatros e participando de turnês com a direção de diversos diretores, como a Bibi Ferreira, Arnaldo Alvarenga, Deise Faria, entre outros. Eu me encantei pelo mercado de cenário e figurino, como os das grandes óperas "Carmen" de Bizet, "O Bolero de Ravel", e entrei para o ramo fazendo produções.



TELEVIZINHA - Amante dos palcos, você cursou interpretação para TV, Teatro e Cinema. Já tinha pretensões artísticas quando entrou para o BBB? 
M. C. - Na realidade, desde criança, como meus pais trouxeram o flamenco para o Brasil e o grande polo do flamenco era em Belo Horizonte, eles abriram um tablado de flamenco que se chama "La Taberna", com vinhos paella, sangrias, jantares românticos, uma casa incrivelmente cultural espanhola. Assim como o meu pai, que conseguiu trazer toda essa bagagem, eu, desde pequena, ficava nos camarins, assistia óperas, teatros, shows de jazz, piano, aulas contemporâneas... Cresci com isso, a arte faz parte da história da minha família, sou filha de coreógrafa e artista plástico, meu avô morou com o Picasso! Meu berço cheira a arte, não seria diferente me interessar. Comecei no teatro quando tinha oito anos, fiz propagandas, minissérie para a Band Minas ("Contos de Minas"), "O Dono da Rua", que teve exibições no cinema, entre outros.


TELEVIZINHA - Ser ex-participante deste programa atrapalha ou ajuda quem pretende ter uma carreira artística?
M. C. - É muito delicado para quem acha que vai entrar no BBB e sair com uma carreira artística, ou reconhecida pelo seu talento. Sim, você está na televisão, mas na pior exposição possível, porque é quando os nervos estão mais à flor da pele e as emoções estão lá... Ali não é um trabalho e, sim, o seu dia dia, onde até mesmo você descobre fraquezas ou forças desconhecidas, no qual você não tem oportunidade de mostrar o seu talento porque não está ali para isso e, sim, para jogar. Então, quando você sai da casa, você não é mais a Marien e sim a "ex-bbb". Certamente, para trabalhos específicos, atrapalha sim! Porque você já vem com uma marca que não é a sua. Tem que ser bem trabalhado e, se quiser estar na área, correr atrás dos seus sonhos e mostrar o seu talento.


TELEVIZINHA - Você é mineira e descendente de espanhóis. Como isso definiu sua personalidade?

M. C. - Ter a descendência espanhola, por parte do meu pai, com certeza fez a minha personalidade. Eu sou metade-metade: metade brasileira e metade espanhola, sangue quente, flamenco no pé, apaixonada por vinhos e uma roda de bulerias, flamenco não é baile, é estilo de vida. Sou forte, guerreira e sempre muito independente!



TELEVIZINHA - Com que objetivo você entrou no Big Brother? 
M. C. - Na realidade, o BBB nunca foi um grande sonho e, sim, uma oportunidade que existiu na minha vida. Assim como sempre, agarrei a oportunidade sem pensar, imaginando que seria bom e foi. Acredito que não tive tanta sorte por não ter um grande amor lá dentro, nem uma grande sintonia... Não sei se fiquei bem diferente do que sou....Acredito que todos que estão dentro da casa interferem na sua evolução... Gosto de todo mundo, apesar de quase não ter contato com ninguém que foi da minha edição, mas tenho carinho de uma oportunidade e vivência dentro da casa. Hoje faria tudo diferente, acreditaria mais na minha intuição.




TELEVIZINHA - O Big Brother é um programa que lida com estereótipos. Há os "sarados", os "barraqueiros", os "coitadinhos"... Em qual deles você acredita que se encaixava?
M. C. - Bom, antes de entrar... é o que sou aqui fora: sou "a feliz" e "a festeira". Sofri muito quando saí com meus amigos e famílias, e me  perguntaram o que houve comigo.. Lá eu me encaixei na "carente", "chorona" e "boa"! "Do bem" eu realmente sou, mas os sentimentos lá dentro se multiplicam. Tive uma coisa que aqui fora não tenho: medo e culpa. É muito louco ficar numa casa sem tanta harmonia.



TELEVIZINHA - Existe algum roteiro, ou vocês realmente vivenciam aquilo tudo espontaneamente?
M. C. - No BBB, desde o confinamento do hotel, perdemos todo o contato com o mundo de fora. É aquilo mesmo! Claro que a edição ajuda muito, isso depende do seu desempenho durante o programa.



TELEVIZINHA - O que é real, e o que é fictício, dentro do maior reality show do país?
M. C. - 
O real é exatamente todos os sentimentos ali vividos. E o fictício é viver com tanta intensidade os sentimentos, multiplicar problemas, viver achando que só existe aquilo porque naquele momento só estar lá dentro satisfaz.



TELEVIZINHA - Achou o resultado do seu programa justo? Em sua edição, quem você acredita que deveria ter vencido o programa, e por que?

M. C. - Acredito que foi justo sim, quando saí, torcia para outra pessoa, mas com passar do tempo vi que a Fernanda jogou muito bem! É inteligente, advogada, e soube jogar o jogo à sua maneira.



TELEVIZINHA - Você se arrepende de algo que fez, e não fez, durante o confinamento? O que?
M. C. - Eu me arrependo de não ter sido a Marien que está aqui fora: muito feliz, justa e festeira. Não fui justa comigo por medo de magoar as pessoas. Hoje seria totalmente diferente... Experiências (risos). A minha índole não mudou. Continuo sendo amiga, parceira e carente, mas seria menos intensa e não viveria tanto para agradar as pessoas



TELEVIZINHA - Para você, participar do "Big Brother Brasil" abriu ou fechou portas?
M. C. - É muito relativo, depende do que se trata, mas o importante é que conheci diversos tipos de pessoas.



TELEVIZINHA - Como foi, e é, a reação das pessoas, quando encontrarem você na rua?  
M. C. - Todos sempre muito curiosos com uma lista de perguntas (risos). As mesmas perguntas!



TELEVIZINHA - Você entrou no confinamento comprometida? Acredita que o relacionamento sobreviva? 
M. C. - Entrei solteira e não acredito. Acho que para participar de um BBB tem que desligar totalmente do mundo aqui fora.



TELEVIZINHA - Com quem você mantém amizade até hoje? E com quem você não quer contato de jeito nenhum?
M. C. - 
Quando encontro, cumprimento, mas confesso que a maioria nunca mais vi... Tenho contato com Yuri, Aslan, Ivan (Marcondes), Fani (Pacheco), com a Fernanda também, quando encontramos conversamos bastante. Sempre que temos a oportunidade de estarmos juntos, trocamos muitas conversas, mas são raros os encontros. Existe carinho, para mim o BBB valeu de experiência. O que ficou por lá, ficou. Não guardo nada que não foi de verdade.




TELEVIZINHA - Se pudesse voltar no tempo, participaria de outra edição? 
M. C. - Na realidade, gosto de várias pessoas de várias edições. Mas gosto da edição do (Diego) "Alemão" e do (Marcelo) "Dourado". Foram as histórias que mais gostei e com muita sintonia entre os participantes.



TELEVIZINHA - Como foi voltar para a vida real? Hoje, o que vem fazendo da vida?
M. C. - No começo é difícil, mas tenho os pés no chão, sou tranquila. Aproveitei o que podia aproveitar! Festas, badalos, flashes e, aos poucos, voltando a dançar e produzir como sempre... Vida que segue... Foi como se o espetáculo estivesse acabado e agora está em outra temporada.



TELEVIZINHA - Com qual outro participante, de qualquer outra edição, você se identifica mais? Por que?
M. C. - Ai, tenho carinho por vários! Adoro o "Alemão", "Mau Mau", "Júnior" do BBB 14, meu querido muso (risos), Monique, Rafa Oliveira. Fernando Mesquita, Lia Khey, Kelly , Francielle Almeida, Diego Grossi, Amanda Gontijo, Milene, Tati carioca. Tem vários, somos muitos, mais esses são os que mais tenho contato e gosto mesmoooooooooooo de encontrar. É muito bom estar perto, tenho sintonia,de caráter, de gostar das mesmas coisas, princípios, risadas, farras, amizade, companheirismo... Aaaah, amizade não se explica (risos).



TELEVIZINHA - Qual é a maior preocupação de quem está dentro de um confinamento?
M. C. - Para mim, o medo do que as pessoas achariam de mim a partir do que sairia na edição. Tinha muito medo do julgamento... Freud explica!



TELEVIZINHA - Existe alguma coisa faria você desistir do prêmio de 1,5 milhão de reais? O quê?
M. C. - Jogar com a emoção e a verdade do próximo, enganar, iludir.



TELEVIZINHA - Marien por Marien, como você se vê, e como acha que foi retratada na edição?
M. C. - Bom, a Marien daqui de fora é muito alegre, festeira, brincalhona. Adoro falar bobagem, estar com amigos e namorar... Lá dentro, fiquei carente e me senti sozinha. Aflorou sentimentos que aqui fora são bonitos, meu carinho, meu amor, minha amizade e cumplicidade. Lá dentro, fiquei "emoção demais" e isso me atrapalhou. Fiquei irreconhecível para mim, eu não gosto de assistir fico com raiva de mim (risos)!



TELEVIZINHA - Qual é o seu livro favorito?
M. C. - Gosto muito de ler. Não tenho um preferido, tenho fases e fases, mas me prendo a livros  como "a lei do segredo", curiosidades sobre o ser humano. Tenho vários momentos, depende da fase.



TELEVIZINHA - Qual é o seu filme favorito?
M. C. - Meu maior vício, impossível falar de filme e escolher um. Assisto pelo menos quatro filmes durante a semana... Vou ao cinema toda segunda, mesmo que sozinha... Meus preferidos são de suspense, adorei "Garota Exemplar", achei lindo. Eu me emocionei com "O Lado Bom da Vida" e me apaixonei por "O Grande Gastby", e me prendi no "Crime de Mestre",sou alucinada por filmes falo sobre isso com vocês por horas, e por aí vai...



TELEVIZINHA - Qual é o sua música favorita?
M. C. - Não existe uma música, existe o momento em que você está escutando e a fase em que está passando. Da MPB ,jazz, rap, eletrônico, ao sertanejo, o importante é tocar no momento. Eu gosto da "Take Me To Church" (Hozier), estou escutando ela agora para responder a entrevista (risos).


TELEVIZINHA - Quem é o seu ídolo... e por que?
M. C. - Não tenho um grande ídolo, admiro vários artistas com seus talentos diferentes...
Tenho um carinho especial pela atuação de Isis Valverde, Fernanda Montenegro, Cauã Reymond, Deborah Secco, Alexandre Nero... me perco em tantos outros talentos. O carisma e seu verdadeiro olhar é Luciano Huck, o fenômeno Steve Jobs, entre outros vários. Eu me perco mesmo...



TELEVIZINHA - Qual seria o seu plano B se nada na sua vida desse certo?
M. C. - Não pensei nisso, luto para que tudo sempre dê certo... Nossos sonhos são do tamanho de nossa luta... 



TELEVIZINHA - Um recado para os fãs, no Televizinha?
M. C. - 
O amor de fã é o mais lindo e puro que existe. Ele alimenta,dá força, faz lutar e nunca desistir. Acreditam mais na gente que nós mesmos, os fãs são leais, verdadeiros e puros. Alimentam em um abraço, amor de fã é o mais lindo do mundo. Obrigada a todos vocês, que sempre estiveram do meu lado...Tenho e hoje sou amiga de várias: a Carla,a Ellen, Roberta, Lucas, Daniel, Ronaldo, Giovanna, Bruna Bárbara, enfim, claro que não estou falando nome de todos, mas esses cuidam de páginas e me acompanham onde quer que eu vá. Eu me tornei amiga, família, tenho carinho enorme por todos, leio todos  os recadinhos, vejo todas as homenagens, respondo o máximo que eu posso, porque sem os fãs eu não sou nada, e eu amo essa troca de energia. Obrigada pelo carinho sempre amores!


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Entrevista com Antonio Fagundes, ator

"Sou o mesmo até nas incertezas, na fragilidade".
Antonio Fagundes 

Helder Miranda*

Antonio Fagundes é um gentleman. Também é um astro daqueles que é reconhecido em qualquer parte do mundo, por causa das novelas brasileiras exportadas que, como todos sabem, fazem muito sucesso por lá. Mas também é de carne e osso, muita gentileza e alguma impaciência - embora discreta - quando a entrevista se estende além do previsto. “Olha, rapaz, não vai ter espaço para tanta pergunta”, gracejou ele com uma voz que mescla um certo distanciamento e ternura.

Mostra-se de carne e osso porque, nos primeiros minutos da entrevista, precisou interromper a conversa para pagar alguma conta. Pediu cinco minutos e, quando atendeu novamente, pediu desculpas por várias vezes, dizendo que aquilo não costumava acontecer e que era algo urgente. Toda essa inteligência e sensibilidade, de alguém que lê de dois a três livros por dia, pode ser vista nas suas argumentações sempre tão centradas, tão lúcidas.

Ele está em cartaz com a peça “Tribos”, que fala sobre intolerância e a falta de comunicação em uma era em que todos têm opiniões pouco embasadas e exibem toda a sorte de comportamentos pela internet. No espetáculo, ele contracena, entre outros atores, com o filho Bruno.

Antonio Fagundes nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou para São Paulo aos oito anos e viveu lá durante 30 anos. Desde cedo, descobriu o dom para atuar a partir de montagens de peças no Colégio Rio Branco, onde estudou. Na TV, estreou em 1969, na telenovela “Nenhum Homem é Deus”, da TV Tupi. Na rede Globo, estreou em 1976, na telenovela “Saramandaia”, na pele do prefeito Lua Viana. Ele é tão multifacetado que, em 1999, gravou um CD, chamado “Tributo a João Pacífico”.

De 1979 a 1981, e de 2003 a 2007, foi protagonista da série “Carga Pesada”, como o caminhoneiro Pedro. Na TV Cultura, cedido pela Rede Globo, participou do seriado “Mundo da Lua”. Nas telenovelas, foram inúmeros personagens marcantes, como o mocinho Cacá, de “Dancin' Days”, o mocinho corrupto Ivan Meireles de “Vale Tudo”, o professor gago Caio, de “Rainha da Sucata”, o vilão Felipe Barreto, de “O Dono do Mundo”, o coronel José Inocêncio de “Renascer”, o advogado espírita Otávio Jordão, de “A Viagem”; o fazendeiro Bruno Mezenga, de “O Rei do Gado”, o romântico Atílio Novelli, de “Por Amor”, o barão do café Gumercindo, de “Terra Nostra”, o corrupto Félix Guerrero, de “Porto dos Milagres”, o líder comunitário Juvenal Antena, de “Duas Caras”, e o preconceituoso e infiel César Khoury, de “Amor À Vida”.

TELEVIZINHA - A reprise de “O Rei do Gado” no Vale a Pena Ver de Novo, pela segunda vez, está fazendo muito sucesso. “O Dono do Mundo” também bateu recorde de audiência no canal Viva, na TV fechada. O que separa o Antonio Fagundes que interpretou o Felipe Barreto (1991), e posteriormente o Bruno Mezenga (1996), do Antonio Fagundes de hoje?
ANTONIO FAGUNDES - Estou muito melhor, na verdade, 15, 20 anos melhor, porque esse é o tempo que distancia o Antonio Fagundes que interpretou aqueles personagens do Antonio Fagundes de agora. Coloque 20 anos a mais de experiência, e mais uns 40, 50 personagens depois. Agora, na base, eu acho que não mudou. Sou o mesmo até nas incertezas, na fragilidade.


TELEVIZINHA - O que você coloca de si mesmo nos personagem que interpreta?
A. F. - Sempre tem algo de você no que você faz. Gozado, há uma diferença em outros países em relação a atuar. Em outras línguas, como inglês e francês, isso é chamado de "jogar". Só no Brasil é chamado de “interpretar”, o que dá um peso muito maior. E, com essa palavra, tiraram exatamente o prazer o jogo, e jogar é isso, é buscar, mesmo eu fazendo o gago, o coronel, o diplomata, o algoz do filho...

TELEVIZINHA - Você tinha um papel de destaque em “Amor À Vida” e participou do último capítulo da novela, que mostrou o primeiro beijo homossexual entre homens na televisão brasileira. Essa especulação incessante em torno de “beijos gays” já se tornou uma falácia?
A. F. - Na verdade, é uma bobagem, que atinge 50% que ainda não aceita as diferenças. Quando eu fiz o César de “Amor À Vida”, homofóbico com o próprio filho, eu fiquei surpreso porque metade das pessoas que participaram da pesquisa da novela eram a favor do comportamento deste personagem, enquanto os outros 50% eram contra o que ele fazia.


TELEVIZINHA - A aceitação do personagem Félix (homossexual interpretado por Mateus Solano) representa um avanço na mentalidade do telespectador?
A. F. - Essa estatística, por incrível que pareça, demonstra uma evolução de comportamento, pois, se a novela tivesse passado antigamente, essa porcentagem de aprovação do comportamento desse personagem seria bem maior. Então foi muito válido o Walcyr Carrasco colocar essa temática na novela, como também está fazendo o Gilberto Braga, tentando inserir esse debate na sociedade a partir de outro ponto de vista.

TELEVIZINHA - Uma reclamação de atrizes de Holywood, na época do Oscar, afirmava que os atores têm melhores papéis quando envelhecem do que as mulheres. Você concorda com esta afirmação?
A. F. - Eu li, recentemente, no jornal Folha de S.Paulo, uma entrevista com um ator inglês de 65 anos que está fazendo o maior sucesso com um filme de veteranos. Ele disse estar surpreso, pois se viu saindo da invisibilidade. E isso atinge a todos os atores que atingem a terceira idade. Não é um privilégio de homens, ou mulheres, atinge a todos, e eu não acredito que os papéis sejam melhores para o sexo masculino em detrimento do feminino. Quando você tem a sorte de sair dessa invisibilidade, se você quebrar desta regra, as pessoas se admiram: “olha, esse velho ainda está andando!” .

TELEVIZINHA - Você ainda continua rígido com horários?
A. F. -
Sim, isso é algo que não mudou e continua sendo amplamente divulgado pela imprensa. Sou muito rígido, mesmo, quanto a isso. Exigir que a plateia chegue na hora marcada é uma questão de respeito aos 99% que chega no horário do início da peça. Não será esse 1% que chega atrasado que atrapalhará os outros que estão acomodados, esperando que o espetáculo comece.

TELEVIZINHA - Há alguma história por trás disso?
A. F. -
Sempre tem, e é uma transferência da irritação que eu senti quando estava na plateia e isso acontece.

TELEVIZINHA - E já aconteceu de você se atrasar?
A. F. - Nunca. Normalmente, o ator está no teatro uma hora antes para se preparar. Eu costumo sair de casa bem antes disso, para estar preparado se algo acontecer no meio do caminho. Se isso acontecer um dia, você pode ter certeza: é porque aconteceu alguma coisa muito grave.

TELEVIZINHA - Se o trabalho como ator não desse certo, o que você seria se precisasse de um Plano B?
A. F. - Trabalho como ator desde os 12 anos, nunca pensei o que eu faria de diferente, pois deu certo.


TELEVIZINHA - Qual é o seu livro preferido?
A. F. - Não tenho como escolher um. Leio de dois ou três livros por semana! São muitos...

Novelas e Seriados com Antonio Fagundes
1968 - “Antonio Maria”
1969 - “Nenhum Homem É Deus” (Netinho)          
1972 - “A Revolta dos Anjos” (Vítor) / “Bel-Ami” (Cadu)
1973 - “Mulheres de Areia” (Alaor)
1974 - “O Machão” (Julião Petruchio)    
1976 - “Saramandaia” (Lua Viana)               
1977 - “Nina” (Bruno)         
1978 - “Caso Especial: Jorge, Um Brasileiro” (Jorge)
1978 - “Dancin' Days” (Carlos Eduardo Cardoso, Cacá)           
1979 - “Carga Pesada” (Pedro da Boléia)              
1981 - “Amizade Colorida” (Eduardo Lusceno, Edu) / “É Proibido Colar” (apresentador)
1982 - “Avenida Paulista” (Alex Torres) / “Caso Verdade: Filhos da Esperança” (Jasper Palmer)
1983 - “Champagne” (João Maria) / “Louco Amor” (Jorge Augusto)
1984 - “Corpo a Corpo” (Osmar Pelegrine)            
1988 - “Vale Tudo” (Ivan Meireles)
1990 - “Rainha da Sucata” (Caio Szimanski)          
1991 - “Mundo da Lua” (Rogério Silva) / ”O Dono do Mundo” (Felipe Barreto)
1992 - “Você Decide” - episódio “O Sonho Dourado”               
1993 - “Renascer” (coronel José Inocêncio)
1994 - “A Viagem” (Dr. Otávio César Jordão)        
1995 - “Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados” (Dr. Bergamini) / “A Comédia da Vida Privada” (Beto) e “A Próxima Vítima” (Astrogildo)
1996 - “O Rei do Gado” (Antonio e Bruno Mezenga)
1997 - “Por Amor” (Atílio Novelli)
1998 - “Labirinto” (Ricardo Velasco)
1999 - “Terra Nostra” (Gumercindo Telles de Aranha)            
2001 - “Porto dos Milagres” (Bartholomeu e Félix Guerrero)
2002 - “Esperança” (Giuliano) / “Vale Todo” (Salvador) / “Brava Gente” (José)
2003 a 2007 - “Carga Pesada” (Pedro da Boleia)
2005 - “Mad Maria” (Ministro Juvenal de Castro)            
2007 - “Duas Caras” (Juvenal Antena)          
2008 - “Negócio da China” (Ernesto Dumas)
2010 - “Tempos Modernos” (Leal Cordeiro) / “As Cariocas” (Oscar, Cacá)
2011 - “Insensato Coração” (Raul Brandão)
2012 - “Gabriela” (Coronel Ramiro Bastos)
2013 - “Amor à Vida” (César Khoury)
2014 - “Meu Pedacinho de Chão” (Giácomo Brunneto)

Filmes com Antonio Fagundes
1969 - “A Compadecida” (Chicó 5)
1971 - “Eterna Esperança”
1975 - “A Noite das Fêmeas”
1975 - “A Escada”
1975 - “Eu Faço... Elas Sentem”
1976 - “Elas São do Baralho”
1977 - “Vida Vida”
1978 - “A Noite dos Duros”
1978 - “Doramundo”
1979 - “O Menino Arco-Íris” (Proprietário do casebre 6)
1979 - “Gaijin - Os Caminhos da Liberdade”
1980 - “Os Sete Gatinhos” (Bibelô)
1981 - “Pra Frente, Brasil”
1982 - “Tchau, Amor”
1982 - “As Aventuras de Mário Fofoca”
1982 - “Das Tripas Coração”
1982 - “Carícias Eróticas”
1983 - “A Próxima Vítima”
1983 - “O Menino Arco-Íris”
1985 - “Jogo Duro”
1986 - “Besame Mucho”
1986 - “Anjos da Noite”
1987 - “Eternamente Pagu”
1987 - “A Dama do Cine Shanghai
1987 - “Leila Diniz”
1987 - “PSW - Uma Crônica Subversiva”
1988 - “Barbosa”
1989 - “O Corpo”
1992 - “Beijo 2348/72”
1993 - “Era Uma Vez no Tibet”
1996 - “Doces Poderes”
1998 - “Uma História de Futebol” (narrador em curta-metragem)
1998 - “Fica Comigo”
1999 - “No Coração dos Deuses”
1999 - “O Tronco”
1999 - “Paixão Perdida”
2000 - “O Grinch” (dublagem)
2000 - “Bossa Nova”
2000 - “Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão”
2003 - “Sete Minutos”
2003 - “Deus É Brasileiro”
2004 - “A Dona da História”
2005 - “A Marcha dos Pinguins” (dublagem)
2005 - “Achados e Perdidos”
2006 - “Noel - Poeta da Vila”
2014 - “Quando Eu Era Vivo” (Sênior)
2014 - “Alemão”

Peças teatrais com Antonio Fagundes
1964 - “A Ceia dos Cardeais”
1966 - “Atlantic’s Queen”
1969 - “Hair”, de Gerome Ragni e James Rado
1969 - "O Cão Siamês" / “Arena Canta Tiradentes”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri / “Feira Paulista de Opinião” / “A Resistível Ascensão de Arturo Ui” / “Castro Alves Pede Passagem”
1975 - "Muro de Arrimo", Antonio Abujamra
1980 - “Pelo Telefone”
1981 - "O Homem Elefante", de Bernard Pomerance
1982 - "Morte Acidental de um Anarquista", de Dario Fo
1983 - "Xandu Quaresma", de Chico de Assis
1985 - “Cyrano de Bergerac”, Edmond Rostand, direção de Flavio Rangel
1996 - "Nostradamus", de Doc Comparato, direção de Antonio Abujamra
1986 - “Carmen Com filtro”, direção de Gerald Thomas
1988 - “Fragmentos de Um Discurso Amoroso”, de Roland Barthes, direção de Ulisses Cruz
1989 - "O País dos Elefantes", de Louis Charles Sirjacq
1990 - "Muro de Arrimo"
1990 - "História do Soldado", de Gerome Ragni e James Rado
1992 - “Macbeth”
1994 - “Vida Privada”, de Mara Carvalho
1996 - “Oleanna”, de David Mamet
1999 - “Últimas Luas”, de Furio Bordon, direção de Jorge Takla
2002 - “Sete Minutos”, de sua autoria, direção de Bibi Ferreira
2005 - “As Mulheres da Minha Vida”
2008 - “Restos”
2012 - " Vermelho", de John Logan, direção de Jorge Takla
2013 - "Tribos", de Nina Raine, direção de Ulysses Cruz

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