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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os quatro erros de "A Regra do Jogo", por André Araújo

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

Para atrair público antes da estreia, “A Regra do Jogo” foi "vendida" para o telespectador como “a novela do mesmo autor de “Avenida Brasil”, o grande sucesso das novelas de 2012. 

De fato, chamariz melhor não poderia haver,uma vez que sua antecessora, ”Babilônia”, de Gilberto Braga, fez a Rede Globo puxar os próprios cabelos desde seu segundo capítulo, despencando dia após dia, piorando ainda mais quando o telespectador resolveu, de vez, escolher “Os Dez Mandamentos”, de Vívian de Oliveira, na Rede Record, como a “real novela das nove”.

Enfim, ”Babilônia” fez com que todo mundo mudasse de canal em seu horário de exibição e a emissora dos Marinho teve de "rebolar" para colocar no ar algo que trouxesse esses telespectadores de volta. Acontece que quando a nova novela do autor João Emanuel Carneiro estreou em 31 de agosto 2015, a trama da emissora do Bispo Edir Macedo estava no auge. A Vênus Platinada foi mesmo ingênua em acreditar que a substituta da novela do autor de “Vale Tudo” fosse “reerguer” o velho horário nobre em um simples estalar de dedos. Esse foi o erro número um.

Se “Os Dez Mandamentos” estava no auge, e faltavam 60 capítulos para seu término, dava para esperar mais um pouco. Certamente o público teria voltado para a Rede Globo. Em 1999, a novela “Suave Veneno” (alguém lembra?), de Aguinaldo Silva foi um grande fiasco desde sua estreia, em 18 de janeiro, mas “Terra Nostra”, de Benedito Rui Barbosa, só estreou mesmo quando estava verdadeiramente pronta. E deu certo, mesmo sendo uma história que tenha dado sono logo após a primeira fase, mas o Ibope já estava ganho, não havia concorrência e o sucesso foi absoluto.

O erro número dois de “A Regra do Jogo” foi a enxurrada de personagens que ninguém sabia conseguia definir. Afinal, quem era vilão e quem era mocinho da trama? Se a favela “Morro da Macaca” poderia ter sido vista como uma “parte do Brasil”, o telespectador se mostrou cansado com a “novidade”, uma vez que o enredo ali apresentado no trama do elogiado autor podia ser vista em todos os telejornais sensacionalistas que costumam explorar a desgraça alheia. Manhã, tarde ou noite, o que não falta na TV são “telejornais” como o “Brasil  Urgente!”. Quer ver desgraça? Liguem em qualquer canal e lá está história infeliz para todos os gostos. Como dizia Janete Clair, seu compromisso era com o “sonho”. E sempre foi isso que os telespectadores queriam ver nas novelas, mesmo que vez ou outra uma trama “realista” conseguisse algum sucesso. Apresentar um “Universo” cheio de realismo sujo como esse de “A Regra do Jogo” deu mesmo uma grande “embrulhada” no estômago de todo mundo que decidiu optar pela novela da Rede Globo.

Erro número três: trama totalmente masculina. Por mais que homens e mulheres acompanhem novelas quase no mesmo nível, telenovelas sempre foram escritas para mulheres. E do que as mulheres gostam na TV? De histórias de amor,vingança e embate entre vilã e mocinha pelo amor do grande herói da história que, em geral, tem personalidade definida, mesmo que em certos capítulos se revele dúbio. Mas é aí onde entra a magia da coisa: o telespectador precisa torcer por alguém.

Erro número quatro: anti-herói não dá mais ibope como já deu nas novelas do passado, a não ser que seja uma comédia pastelão bem nos moldes das novelas do Carlos Lombardi. E o excesso de tramas paralelas chatas fizeram com que a trama central ficasse quase em segundo plano. Afinal, quem é Atena (Giovana Antonelli)? Tóia (Vanessa Giácomo) é de fato a mocinha da trama? E o mocinho, quem é? Juliano (Cauã Reymond) ou Romero (Alexandre Nero)? 

Quando anunciou-se “A Regra do Jogo”, todo o público esperou por uma mistura de “A Favorita”(2008) com “Avenida Brasil(2012), mesmo que isso não fosse dito, mas o que temos visto na novela tem ficado muito aquém do que se esperou. E, por falar em “Avenida Brasil”, o autor João Emanuel Carneiro apostou mesmo todas as suas fichas na trama central, uma vez que as tramas paralelas da novela não diziam nada. Em “A Regra do Jogo”, temos o inverso, pois a novela conta com excessivas histórias secundárias, deixando a história central meio “vazia”.

Ainda dá tempo de dar uma "melhorada" e fechar a novela com uma audiência incrível,uma vez que o interesse do telespectador pela trama tem crescido em todo o Brasil. Fica a dica, João Emanuel Carneiro!

***

André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

"Êta Mundo Bom" prova que Walcyr Carrasco é um novelista de primeira

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

A primeira vez que ouvi falar em Walcyr Carrasco foi em meados de 1989,quando uma revista de fofoca anunciou que o SBT exibiria, à partir de outubro do mesmo ano, uma novela intitulada “Cortina de Vidro” que teria Herson Capri e Nívea Maria como protagonistas,além de grande elenco. Para completar, a pequena matéria ainda explicou que toda a produção seria independente,tendo Guga de Oliveira (Irmão do “todo-poderoso” Boni!), como diretor, supervisor de texto e responsável pela exibição da trama.

As gravações começaram em agosto de 1989 e a atriz Nívea Maria, sondada para protagonizar “Gente Fina” na Rede Globo, abandonou o projeto, alegando “amadorismo” do diretor. Mas a “baixa” foi resolvida logo e Ester Góes foi chamada para substituí-la. Em 23 de outubro do mesmo ano, “Cortina de Vidro” estreou às 19h40. Adorei o primeiro capítulo, mas alguns episódios depois vi que, embora a trama fosse dinâmica, "faltava alguma coisa”, talvez devido ao numeroso elenco.

De fato,a história começou a ficar confusa. As tramas secundárias começaram a ter o mesmo peso da trama central e tudo ali se desajustou de vez, mas eu dizia: “Esse Walcyr Carrasco é bom, mas está apresentando tudo ao mesmo tempo, um erro”. Acho que o autor se deu conta dessa verdade e de repente toda a novela mudou. O autor promoveu um incêndio na história e grande parte dos personagens saiu de cena, incluindo a protagonista Branca (Betty Gofman), que deu lugar para a personagem da (hoje jornalista) Sandra Annemberg, que estava muito à vontade no papel da operária Angela.

A novela foi um fiasco e acho que nem seu elenco a acompanhou. Mas mesmo com o insucesso da primeira novela de Walcyr Carrasco,vimos ali o potencial do autor que, no final de 1990 ainda nos deu de presente a minissérie “Rosa dos Rumos”, exibida pela Rede Manchete, a real amostra de seu talento. Seis Anos depois, em 1996,a mesma emissora exibiu outro êxito do versátil Walcyr Carrasco,”Xica da Silva”,um novelão de época que se tornou o grande sucesso do ano. 

Para completar, contratado do SBT, que recusava todas as sinopses do autor, o escritor assinou a saga da escrava Xica com o pseudônimo “Adamo Angel”, causando grande frisson no meio, uma vez que ninguém nunca havia ouvido falar nesse tal novelista. Sucesso do começo ao fim. E o sucesso foi tão estrondoso que a trama durou um ano no ar, ou seja: foram 231 capítulos de uma história que se apresentava diferente a cada mês. A trama simplesmente não se repetia e em nada mudava o curso do enredo principal, que conquistou nobres e plebeus.

Silvio Santos descobriu a “sacanagem” de Walcyr e, para puni-lo, pediu a ele uma trama inédita para o SBT, o que o “patrão” Silvio foi prontamente atendido. Mesmo com toda a trama de “Pérola Negra” pronta, Silvio Santos reconheceu em Walcyr Carrasco uma nova Janete Clair e apostou tudo em “Fascinação”,que estreou no mesmo dia de “Torre de Babel” (25 de maio de 1998) que, para sorte do SBT, entrou em crise de aceitação já na primeira semana.

“Fascinação” foi exibida com grande sucesso e foi aí que as portas da Rede Globo se abriram para Walcyr Carrasco, que estreou “O Cravo e a Rosa” com estrondoso sucesso,levando a audiência das seis ao ápice. Sucesso do começo ao fim. E já com essa novela, o escritor consolidou de vez seu talento como autor de novelas. Depois dessa, outros sucessos vieram, como “Chocolate Com Pimenta”,"Alma Gêmea”,”Sete Pecados”, "Gabriela”,"Amor à Vida”, a grande surpresa que foi “Verdades Secretas” e agora “Êta Mundo Bom”, atual folhetim das seis,que tem batido todos os recordes de audiência desde sua estreia, em 18 de janeiro.

E por que não apostar numa trama previsível e cheia de clichês? Essa é a verdadeira chave do sucesso para as telenovelas. De realidade, todos os telejornais estão cheios. E novela de verdade é a que temos visto desde que a trama protagonizada por Sérgio Guizé (Candinho) entrou no ar. Depois de um dia intenso de trabalho, o povo brasileiro tem o direito de chegar em casa e se deparar com uma história como essa, que tem sido ágil desde o primeiro capítulo.

O elenco é, na maioria, o mesmo que tem costume de trabalhar com o autor, e Jorge Fernando, na direção, completa o quadro. E assim como nas novelas de Dias Gomes não poderia faltar Paulo Gracindo, e nem nas tramas de Janete Clair não poderia deixar Francisco Cuoco de fora, em novela de Walcyr Carrasco não poderia deixar de ter Elizabeth Savalla, que tem tudo para roubar a cena com sua personagem “Cunegundes”, que embora esteja muito exagerada, ainda tem muitos capítulos para ficar mais à vontade. E novela que se preza tem de ser assim mesmo: folhetim. E nisso,Walcyr Carrasco não precisa mais provar nada.

Sua novela está linda,Walcyr! Parabéns! Autor de verdade de novelas é você, que se encaixa em qualquer horário sem perder o estilo e,claro,o fôlego!


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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

"Além do Tempo" será para sempre um folhetim encantador

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

No segundo semestre de 1990 a Rede Globo colocou no ar a tão aguardada novela “Barriga de Aluguel”, que Gloria Perez havia criado sete anos antes e,claro,engavetada,devido o “excesso” de “absurdos” que seriam abordados na trama. Inclusive, seu título original era “Novos Tempos”.

Visionária, mergulhada no universo de sua mestre Janete Clair (1925 - 1983), Gloria Perez sabia mesmo do que estava falando e sua novela em 1990 deu mesmo o que falar. Era a novela “das oito” no horário das seis. "Barriga de Aluguel” não fez feio nem mesmo quando a emissora adiou sua substituta, e a autora teve de espichar a história em mais 70 capítulos, fechando a novela com 243 capítulos, a mais longa novela do horário, o que poderia ter esvaziado a história, o que de verdade não aconteceu.

E o público, além de continuar ligado na trama, não só via a novela como também a discutia em todas as rodas de conversas quando o assunto era alguma coisa ligada ao mundo da TV. Não teve jeito! Todo mundo se ligou no drama das duas mães que queriam ficar com a criança gerada num barriga alugada! Foi um drama atual e inteligente! E que drama! Sucesso igual só foi visto e debatido três anos mais tarde,com o “remake” de “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro (1916 - 1995), recorde de audiência em todos os seus 180 capítulos exibidos.

Vinte e dois anos após seu grande “boom” no horário das 18h, a Rede Globo nos deu de presente uma novela chamada “Além do Tempo” em que a autora, Elizabeth Jhin, misturou o kardecismo tão bem usado por Ivani Ribeiro em algumas tramas, com as polêmicas típicas das histórias criadas por Gloria Perez, como a obsessão de Melissa (Paola Oliveira) em “salvar” seu casamento por “pura birra” e usar o filho para castigar o ex-marido, mostrando o que fato se entende por alienação parental, além de discutir o “racismo”, tão em evidência atualmente, quando negros são chamados de macacos em pleno século 21. Enfim, uma trama açucarada, mas bem atual e sem perder a força de um folhetim típico do horário das 18h que sempre teve público ingrato.Um primor de novela!

Embora o principal triângulo amoroso da trama fosse a história de “Melissa-Felipe-Lívia", o que de fato cativou a todos os telespectadores foi o “eterno duelo” entre as personagens de Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache, que roubaram para si todas as cenas em que atuaram. O público sabia que Emília sofreu nas mãos de Vitória no século 19 e presenciou a vingança que ela impôs, na atualidade, à sua antiga rival. Como epílogo, o acerto de contas e o perdão.Quem foi mau na vida passada pagou pelos seus pecados nessa existência e se redimiu. Para fechar, o amor tomou de conta de todos os corações e todas as cenas foram, de fato, lindas.

Ah! Nem tudo foi interessante em cada capítulo? Foi, sim. Ao final de cada um, um gancho que nos fazia pensar em como seria o capítulo seguinte. E lá se vinha uma nova leva de emoções e suspenses inteligentes que nos faziam esperar pelo outro. A autora soube dosar cada “episódio” e a novela, em momento algum, se esvaziou, mesmo que no começo da segunda fase o público tenha se questionado sobre a qualidade da história: mas afinal, o que é uma novela senão um novelo que vai se desenrolando aos poucos? Elizabeth Jhin conseguiu a proeza de cativar seu público. E com a vantagem de nos dar de presente apenas uma trama simples, nada mais. Trama simples e ao mesmo tempo ousada, pois tivemos duas novelas em uma só. Parabéns à autora e toda a equipe da novela, que foi maravilhosa do começo ao fim.
Enfim,"Além do Tempo" será para sempre um folhetim encantador.

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Verdades Secretas": qual o segredo para o sucesso da novela?

Por André Araújo*
Em setembro de 2015

Janete Clair se reinventava a cada novela que escrevia, embora escrevesse sempre a mesma história. Walcyr Carrasco se reinventa a cada novela que escreve e tem se superado de um modo nunca antes visto desde que perdemos Janete Clair e Ivani Ribeiro, as grandes damas da televisão brasileira como escritoras de novelas. 

Saudades das duas, mas como o show não pode parar, desde que a Rede Globo contratou o autor de “Verdades Secretas”, em 2000, temos visto um sucesso atrás do outro e o telespectador vem mesmo se entusiasmado por voltar a assistir uma boa história a cada dia. Dom de poucos, talentoso demais esse Walcyr.

“Verdades Secretas” já começou por cima, fazendo a denúncia do “book rosa” que, até então, a maior parte dos brasileiros nunca tinha ouvido falar, desnudando o mundo fashion como jamais se viu. Chocou, mas ninguém quis parar de ver. Com tanta novela sem graça sendo exibida, restava uma excelente alternativa para quem, como eu, ama uma boa história em capítulos. E mesmo em um horário tão ingrato, valia a pena acompanhar a saga de Carolina (Drica Moraes) e sua vida sofrida. E que vida! 

A personagem carregou a marca do sofrimento desde a estreia, quando descobriu a vida dupla do marido, Rogério (Tarcísio Filho), e acabou tendo de ir viver a própria vida, mesmo contra sua vontade. Mas o que lhe restava?

Durante os 64 capítulos exibidos, quatro dias por semana, "Verdades Secretas” foi subindo no ibope devagar e chegou ao último capítulo cercada de expectativas, "bombando" nas redes sociais e pelo público de um modo geral, tal qual aconteceu com “Avenida Brasil” (2012), do João Emanuel Carneiro. E qual o segredo para o sucesso da nova novela de Walcyr Carrasco? Simples: a não-mesmice que tem se repetido de alguns anos para cá e uma boa história focada em tramas inteligentes e diretas, bem diferente do que estamos acostumados a ver. Exatamente por isso muito brasileiro perdeu o sono para acompanhar cada capítulo. Um show do autor, produção e elenco.

E por falar em elenco, Grazi Massafera foi do céu ao inferno e voltou ao céu carregada por anjos com sua personagem Larissa, que se envolveu com drogas e quase foi assassinada ao ser a “protagonista” (vítima!) de um estupro coletivo. Esta cena, por sinal, elevou a interpretação realista da atriz elevou-a ao rol das grandes estrelas da TV brasileira! Atuação perfeita, direção impecável e um texto perfeitamente bem escrito. De "babar"! 

O desfecho da protagonista Carolina (Drica Moraes) foi óbvio, mas chocante e, até certo ponto, inesperado. Mas diante de uma traição dupla e ainda ver a filha se jogando na frente do amante tentando impedir sua morte, o que poderia restar para a pobre coitada? Outro grande choque para a tão sofrida personagem de Drica (o pior deles, com toda certeza),que não viu outro caminho a seguir senão dar um tiro na própria cabeça e acabar com tudo. Chocante e perfeito!

Camila Queiroz atuou do começo ao fim como uma veterana e merece todas as honrarias pelo seu desempenho como Angel. Com a segurança de quem fora criada fazendo novelas, a novata arrasou em todas as cenas e convenceu. Talento que transbordou por todos os poros, consagrando-a como um grande nome para futuras produções;talento raro para quem nunca tinha feito nada antes. Desfecho maravilhoso e esperado por todos. Embora Angel tenha sua parcela de culpa ao trair a mãe, a personagem se “redimiu” perante o público ao deixar claro que se vingaria. Ela foi fria para planejar a morte do grande vilão-sedutor-cafajeste e tensa para concretizar sua vingança. Afinal, o amante Alex (Rodrigo Lombardi) era um infame, a peste em pé, para ser mais exato, um verdadeiro demônio. Sem contar que a personagem foi extremamente cínica para inventar que o ex-padrasto e amante caiu no mar por acidente. Perfeito!

Walcyr Carrasco pode até não ter agradado a gregos e troianos com a sua novela, mas é inegável a coerência da história como um todo e seu desfecho coeso, mesmo com a falha de Carolina ter morrido sem ter sabido do verdadeiro caráter de Fanny (Marieta Severo), que aproximou Alex de Angel, o que desencandeou toda a trama. A dona da agência merecia ter levado uns bons tapas na cara dados pela personagem da Drica! 

Outros nomes também se destacaram, como Reynaldo Gianecchini, Ana Lúcia Torre, Guilhermina Guinle e, claro, Rainer Cadete, que conquistou a todos com seu Visky, uma tour de force do ator, que arrasou do começo ao fim. Bravo! Bravíssimo! Esse também merece aplausos de pé!

Parabéns ao mestre Walcyr Carrasco e toda sua equipe! Sem nada a dever aos grandes novelões exibidos no horário das 21h, "Verdades Secretas” saiu do ar ovacionada pelo público e pela crítica! Sem dúvida alguma, a novela do ano 2015!

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As falhas de "A Regra do Jogo" (ou o que falta na novela)

Por André Araújo*
Em setembro de 2015

Esperei muito pela estreia de "A Regra do Jogo", uma vez que a trama vinha com a assinatura do João Emanuel Carneiro que, desde "A Favorita", conseguiu fazer com que eu voltasse a me interessar por telenovelas.

E à medida que eu lia sobre a nova trama antes da estreia, meu coração dava saltos, motivado por uma grande ansiedade, doido para "Babilônia" sair do ar. O que se viu no capítulo de estreia da nova novela do autor de "Avenida Brasil" foi uma história que "pegaria" a todos pela novidade e todos os capítulos seguintes viriam "batizados", como episódios de séries, como se fosse um longa inteligente e cheios de surpresas... Mas à medida que os "episódios" foram avançando, a trama foi se revelando tosca, sem graça e previsível demais. 

Sim, pois todos os personagens não são o que aparentam ser. E eu me perguntava: "Onde está a história de amor, mote de toda grande novela? Por quem torcer, se não há um par-romântico que passe verdade??" Fiz uma avaliação das novelas anteriores do autor e lembrei da "Flora", de "A Favorita". "Juliano", de "A Regra do Jogo", vem com o mesmo discurso! E aí? Outro vilão também? Para piorar, li que a "Tóia" vai se tornar vilã lá pelo capitulo 50.

- Que novela é essa,afinal??? Vamos torcer por quem? Onde está a alta direção da Rede Globo, que não se atentou para isso na sinopse?

Não é sempre que um anti-herói funciona! Isso acontecia somente nas novelas de Janete Clair! E ali era outra época! Sem contar que os anti-heróis criados pela eterna "maga das oito" não eram "do mal"! Eles não passavam de malandros ingênuos que, de alguma forma, queriam chamar a atenção de suas amadas. Ou ninguém se lembra mais do Carlão de "Pecado Capital"? Ele ficou com o dinheiro com o objetivo de mostrar para Lucinha (Betty Faria) que também podia oferecer a ela tudo o que o rival Salviano Lisboa (Lima Duarte) fazia.

Não é o sucesso de "Os Dez Mandamentos" que está tirando público da novela "A Regra do Jogo", mas sim o próprio autor, que tem escrito uma novela que simplesmente não tem foco! Que haja denúncias dentro da novela, mas onde está a "alma folhetinesca" que toda grande telenovela exige? 

Ainda dá tempo de criar um novela com triângulo amoroso convincente e uma vilão de verdade para interferir na história de amor. É o que falta na novela "A Regra do Jogo".

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Porque "Os Dez Mandamentos" é um sucesso absoluto - Por André Araújo


Por André Araújo
Em setembro de 2015

O que é uma novela bem produzida?...O que é uma novela com elenco afiado e direção inovadora?...O que é boa novela?...A resposta sempre será essa: “Boa novela é aquela que dá audiência”.Ou todo mundo está pensando que a novela “Os Dez Mandamentos” está com tudo e não está prosa por conta do seu elenco maravilhoso ou do texto bíblico que autora Vívian de Oliveira tem adaptado? Hã? 

Assim como aconteceu com “Pantanal” em 1990 pela Rede Manchete,a atual “novela das oito” da Rede Record deu sorte por conta da azarada trama que Gilberto Braga escreveu para substituir “Império” de Aguinaldo Silva, que voltou ao horário mais nobre da Rede Globo para recuperar a audiência que Manoel Carlos jogou ao chão com a insossa “Em Família”,q ue em nada tinha algo que chamasse atenção.

Com o hábito de ter seus televisores ligados no horário “das oito” e com uma história que era um verdadeiro samba de crioulo doido,o telespectador resolveu (já era tempo!) virar as costas para a nova trama do autor de “Vale Tudo”, que desde a saga de Odete Roitman só escreve a mesma história.

Cansado desse "blá, blá, blá" que fazem parte de todos os noticiários e da internet, o povo buscou uma alternativa e mudou de canal. Em vez de transformar “Babilônia” numa ótima história de amor, o autor e seus colaboradores continuaram tentando transformá-la numa nova saga da vilã-mor de "Mrs. Roitman", piorando a história cada vez mais. Daí o sucesso da trama bíblica da Rede Record, que é bem produzida, diga-se de passagem, mas seu elenco... Esse se esforça (risos!).

E “A Regra do Jogo”, que só por levar a assinatura do inovador João Emanuel Carneiro já merece ser vista, traz uma trama bem montada e sequências que nada deixam a dever às séries policiais que tão bem retratam o submundo dos becos dos bairros mais pobres de Nova York. Ah,existem falhas? Mas é claro que existem, afinal,estamos falando de uma obra de ficção. Mas os furos notados até aqui não maculam a obra, que até agora está no caminho certo.

Com uma novela inédita,inteligente,coerente e contada em velocidade máxima,João Emanuel Carneiro ainda tem muito fôlego para escrever seus capítulos! É só esperar! A Rede Record deve aproveitar bem sua maré de sorte tal qual fez a Rede Manchete... "Pantanal” foi uma em mil... "Os Dez Mandamentos” também merece seus quinze minutos de fama.
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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

terça-feira, 14 de julho de 2015

“Além do Tempo”, a nova novela das seis, tem tudo para dar certo!

Por André Araújo
Em 14 de julho de 2015.

“Além do Tempo”, novela de Elizabeth Jhim, chegou com tudo ao horário das 18h30,que tem exibido novelas maravilhosas desde que “Escrito nas Estrelas” (2010), da mesma autora, foi ao ar. Algo bem diferente do horário das 21h que, novela após novela, sempre há a mesma marca da maldade como trunfo.

Se não é a maldade como foco é a mesmice do Manoel Carlos com suas "Helenas" e seus "chororôs" que ninguém tolerava mais! Ufa! Ainda bem que o famoso fã do bairro Leblon, no Rio de Janeiro, pendurou as chuteiras, senão... Haja saco para suportar a mesma história a vida toda. 

Sorte de quem tem bons livros em casa: melhor entretenimento no horário das novelas do Maneco não há. Fato! E como o tempo não volta e o foco aqui é a nova novela de Elizabeth Jhim,vamos ao que tivemos na estreia: um novelão nos bons moldes da literatura no horário das seis, sucesso nos anos 70, e uma certa "revisitada" ao que Walcyr Carrasco tão bem soube fazer com sua “Xica da Silva”, na TV Manchete em 1996.

Amei todo o capítulo e tudo que foi mostrado ali. Perfeito! E mesmo com uma música de abertura que já foi tema de uma outra trama em 2004, a produção caprichou nos detalhes.Mas por que não uma música de abertura bem no estilo dramalhão mesmo? A novela é isso,um drama de amor que tem tudo para dar certo. Irene Ravache estava meio “Eterna Magia” no tom e no olhar. Alguém se lembra? Mas foi dez! Deu pra sentir toda a carga de remorso que a personagem carrega consigo.Acredito que a megera-mor da trama será a personagem de Nívea Maria, a personagem Zilda que, a meu ver, pode sentir uma quedinha pelo personagem do Val Perré. Quem sabe? Não li nada sobre a novela...Estou esperando pelos próximos capítulos.

Aline Moraes tem cara de vilã e talvez esteja velha demais para o papel de Lívia.A Rede Globo poderia ter apostado numa atriz mais jovem e anônima! Causaria, com certeza.Quanto ao Rafael Cardoso...o ator tornou-se figurinha fácil no horário das seis...

Paola Oliveira deve ter mesmo um grande prestígio dentro da Rede Globo...Em termos de talento para o nome encabeçar a lista dos créditos, acho que o de Irene Ravache tem mais a ver... Mas isso é detalhe.Giulia Gam teve seu nome lá no miolo da abertura de “Sangue Bom” e ela foi,sem sombra de dúvida,o grande nome de toda a trama, tal qual foi Neuza Borges na novela “De Corpo e Alma”, de Gloria Perez, em 1992. Boa sorte para Elizabeth Jhim e todos os tripulantes da novela “Além do Tempo”. A novela tem tudo para dar certo.

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sobre a nova Inês de "Babilônia" e o "boicote" à Adriana Esteves

Por André Araújo
Em maio de 2015

Gilberto Braga e seus colaboradores precisam se dar conta de que o principal par-romântico de "Babilônia" não empolga... Essa novela ainda tem jeito...Joguem a Inês na prisão,façam com que ela fique 100% boazinha...E criem pra ela um grande amor...A novela ainda pode ser salva...

Adriana Esteves devia estar mesmo sentindo saudades da "Carminha" de "Avenida Brasil" pra topar esse papel de "Inês" em "Babilônia"...Erro grave voltar num papel parecido com o do seu "boom" no horário mais nobre da Tv...Mas ainda tem jeito...

Falam sobre um possível "boicote" à Adriana Esteves. "Boicote" mesmo eu não sei se houve, mas o sucesso ((obra da sorte,claro!) de Cristiana Oliveira como "Juma" em "Pantanal, 1990, foi algo que muita gente da TV "não engoliu". E era dada como certa sua ida para a Rede Globo,o que só ocorreu dois anos depois, uma vez que a atriz "resistiu" muito aos inúmeros convites.Mas que artista não quer ter seu lugarzinho na maior emissora do Brasil?

Um profissional de televisão que recusa (será que existe algum?) convite da TV Globo age como mãe que não gosta do filho, afinal, só mães imbecis não querem sucesso para o filho,mesmo que seja somente de coração.Pois é! Cristiana Oliveira se tornou alvo de cobiça da emissora do Roberto Marinho,mas quando chegou à Vênus Platinada,se ferrou ao aceitar o papel de "Paloma Bianchi" em "De Corpo e Alma', de Gloria Perez,que vinha do surpreendente sucesso "Barriga de Aluguel".

Mas a direção,comandada pelo falecido Roberto Talma,dirigiu a novela de qualquer jeito e a eterna Juma Marruá foi implodida em todos os capítulos.Segundo as fofocas da época, Talma e Gloria Perez trocaram farpas durante toda a novela e o desgaste entre autora e diretor se via nas imagens. Os erros de continuidade eram gritantes.

Vinte e dois anos depois, tivemos "Avenida Brasil" que a bem da verdade não foi essa "coisa" toda. Mas como já falei antes,o que é uma boa novela senão aquela que faz a emissora faturar? Adriana Esteves foi ovacionada do começo ao fim. Disposição e inspiração da atriz e sorte do autor da história, João Emanuel Carneiro, que apostou todas as suas fichas na trama da vilã, que agradou. Mas...certamente alguém da emissora, com muito poder, não deve ter curtido todo esse sucesso da atriz e a sugeriu como vilã para a novela que Gilberto Braga assinaria três anos depois, no caso, essa "Babilônia".

Uma novela da grife Gilberto Braga sempre chama atenção...Mas voltar como vilã no mesmo horário, sem ter feito nada expressivo depois do seu último mega-sucesso foi infantil da parte da atriz, que deveria ser a mocinha da história. Em vez de estar empolgando como a vilã-"justiceira" dessa novela, Adriana Esteves nos faz acompanhar a saga de uma vilã insossa, "desinxabida", amargurada e sem charme. Até os tiques da personagem são os mesmos da "Carminha"...Culpa da atriz? Em parte, mas é para reparar nesse tipo de coisa que existe um diretor-geral e uma penca de auxiliares.

terça-feira, 12 de maio de 2015

“Carminha" virou "Nina” na nova "Babilônia", por André Araújo

Por André Araújo
Em maio de 2015

Em 16 de março último, parte do Brasil parou para assistir à estréia daquela que seria a “novela do ano”,”Babilônia”,o que costumava ser noticiado nos anos 1980/1990 quando Gilberto Braga era anunciado como autor de alguma “telelágrima” (era assim que as telenovelas eram chamadas antigamente!) prestes a estrear. De fato, a expectativa era enorme, uma vez que todas as novelas do escritor mais glamouroso do país carregavam consigo a marca do sucesso, principalmente à partir de  “Dancing Days”(1978) que  arrebatou todos os públicos da época,sendo lembrada até hoje como a novela mais popular da reta final dos anos 1970.


Mas se o capítulo de estréia de “Babilônia” animou os fãs do autor Gilberto Braga,os falsos moralistas não perderam tempo e  já antes do final do capítulo de estreia, recorreram às redes sociais para expressar seu desagrado com a trama “imoral” e “grotesca” que exibiu um beijo “homossexual” entre duas “vovós”,como se a novela tivesse exibido somente isso. E são falsos moralistas mesmo, pois antigamente, nem mesmo televisão alguns religiosos (?) poderiam manter em casa, pois o tal  aparelho doméstico era visto como “coisa do Demo”.


Em se tratando de apresentação da história e ritmo,”Babilônia” em nada deixou a desejar; pelo contrário, todo mundo que viu a estreia da novela, desligou a TV ao fim do capítulo já ansioso pelo episódio seguinte...E foi no segundo capítulo de “Babilônia” que o autor Gilberto Braga jogou por terra tudo que se viu na estréia. Exatamente ali, no segundo dia, a trama ágil começou a se perder...E se perdeu mesmo!


“Vaiada” pelo público,e despencando cada vez mais na audiência,”Babilônia” foi bombardeada por todos e, desde então, tem sofrido mudanças drásticas e em nada lembra o que se noticiou antes de sua estréia ou que se leu nas revistas especializadas. A “nova e eletrizante” super novela das 9 não tinha nada de top. E com isso, tudo começou a mudar, uma vez que a audiência só caía. Infelizmente, parece que é regra na Rede Globo não noticiar a verdade quando algo assim acontece.


“Em Família”,do Manoel Carlos, e (Graças a Deus!) a última “Helena” e última novela do autor, fracassou do começo ao fim,(tendo inclusive seu desfecho antecipado em quase sessenta capítulos),mas durante todo o período em que foi exibida,o que se lia da assessoria da emissora sobre a mesma era: “Está tudo bem. As alterações estavam previstas desde a sinopse”. De bolar de rir. O mesmo que lemos hoje quando alguém da produção de “Babilônia” se manifesta para falar sobre a  terrível crise que, segundo todos,”não existe”.O próprio Ricardo Linhares,que escreve a história ao lado de João Ximenes Braga, comandados por Gilberto Braga, manifestou-se dizendo que não houve mudança nenhuma. "O que está acontecendo estava previsto na sinopse,mas foi antecipado pra criar mais tensão entre Beatriz e Inês”


Mesma coisa que Gilberto Braga disse quando o público (até então fiel a ele),virou as costas para “O Dono do Mundo”, mais uma de suas tramas que seria “a novela do ano 1991”, o que não aconteceu.”O Dono do Mundo” não foi um "fracassão", mas  o que vimos na telinha não foi o que Gilberto Braga escreveu na sinopse. Além de alterar toda a estrutura da novela, a protagonista “Márcia”(Malu Mader), perdeu o posto para “Stella” (Glória Pires), e novos personagens e tramas  foram inseridos na história com o propósito de salvar a novela do desastre total.Ainda assim,a novela permaneceu no ar com aquele cheiro de feijão queimado;ou melhor,”escargot” em mesa de pobre.


Mas em “Babilônia”, talvez o erro não esteja exatamente na enxurrada de maldades gratuitas, eterna marca de Gilberto Braga,ou no excesso de tramas consideradas “imorais”,como “tara” sexual, relações homossexuais ou falta de escrúpulos; provavelmente, seja mesmo a falta de uma consistente história de amor o mote central de todo folhetim e um vilão asqueroso, até engraçado, disposto a separar o principal casal romântico da história em todos os capítulos.


Nessa novela, não há por quem torcer. A falta de carisma da atriz Camila Pitanga e a apatia do ator Thiago Fragoso não convencem como par romântico principal. Além disso, todas as armações criadas pelos autores para que o casal se separe e o público passe a torcer por eles já foi usada antes. E pelo mesmo Gilberto Braga; ou seja, é a velha mesmice que todo mundo já está cansado de ver. Sem contar o pior: não há química entre o casal que, afinal, deveria ser “rebaixado” e “fixado” no núcleo de coadjuvantes “importantes”, pois a história dos dois, juntos ou separados, tem esse perfil. 


E mesmo menos discursiva, a protagonista “Regina” tornou-se a personagem mais chata de toda a trama.que já era desde o início. Mais insossa, não existe, nem mesmo o Marcos Palmeira,que se supera na “canastrice” a cada vez que aparece e abre a boca.E as mudanças (“que mudanças?”,perguntaria Gilberto Braga) estão aí,para todo mundo que tem acompanhado a novela,ver. E quem não acompanhou e decidir dar uma olhadinha, vai “estranhar” a o burburinho que se fez sobre a história, que pouco lembra o que se viu no começo.


“Alice” (Sophie Charlotte),que entraria no mundo da prostituição (e amaria o “trabalho”), vai acabar se desidratando de tanto chorar. De filha submissa, tornou-se uma espécie de “gata borralheira” e, até onde já se sabe, não vai mais disputar o amor e a fortuna do milionário “Evandro”(Cássio Gabus Mendes) com “Inês” (Ou seria “Carminha”?),como previsto na sinopse original. A rivalidade entre mãe e filha seria uma terrível briga de foice, fazendo a vilã levar a melhor, claro, mesmo porque, qual o objetivo de a personagem de Adriana Esteves senão levar tudo que pertencia à “Beatriz”(Glória Pires), tal qual fez “Laura”(Cláudia Abreu) com “Maria Clara Diniz”(Malu Mader), em “Celebridade”(2003), do mesmo Gilberto Braga? 


E como ficam mesmo as personagens “Teresa” (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg),”responsáveis” pelo repudio à novela e o novo casal gay da trama,”Carlos Alberto”(Marcos Pasquim) e “Ivan”(Marcello Melo)?...As cenas onde o casal lésbico troca qualquer espécie de carinho explícito,desapareceu; aliás, até surgiu do nada a morte do filho da advogada, o ”Lauro” (Dennis Carvalho), com o pretexto de tirarem o casal do ar por algum tempo, uma vez que ambas levam o corpo do falecido à Itália,onde decidem ficar por alguns dias,digo,capítulos. 


E segundo vazou, quando voltam, o casal  entra em atrito por conta de “Beatriz”, que será acusada por Teresa, já que a grande vilã da novela tentou matar “Inês” depois que esta publicou na Internet o vídeo da filha de “Estela” no maior amasso com o pai de “Regina,”Cristóvão”(Val Perré),dando aí o pontapé inicial para que o motorista de “Evandro” acabasse assassinado pela vilã, hoje “ex-ninfomaníaca”.Quanto ao possível casal “Carlos Alberto” e “Ivan”,divulgam na rede que eles não serão mais um casal e que os capítulos onde existe a “nuance” de um possível romance,foram totalmente reescritos. É...Isso vai ficar tão estranho...Quem sabe nessa novela,que ficou totalmente desfiguarada, não aparece a primeira cura gay? Do jeito que a coisa vai... Eu não duvido mais de nada!


E o que está por vir está bem claro: “Inês” deve se tornar uma espécie de “justiceira” (“Carminha" virou "Nina”?) e “Beatriz” fará de tudo para acabar com a mãe de “Alice”,num eterno duelo entre cobras muito venenosas.


E a protagonista “Regina”,como deve ficar em meio a tudo isso? Bem,pelo andar da carruagem, seu lugar é na praia mesmo, vendendo seus sanduíches e falando sobre o tempo. Ou enfiar sua viola sua saco e mudar de ponto. Essa mocinha chata e  discursiva, acreditem, não agradou mesmo. Ainda que  ela se transforme na mais injustiçadas de todas as heroínas que Gilberto Braga criou, nem mesmo sofrendo mais que a “Escrava Isaura” (Lucélia Santos), vai conseguir a simpatia do público.Mas quem sabe? Telenovela é uma obra aberta...E o controle remoto é quem diz aonde vamos.


As “reviravoltas” na novela são evidentes, mas os autores vão conclui-la dizendo que deu tudo certo, que foi maravilhosa e que a história será para sempre inesquecível.Talvez seja mesmo inesquecível, mas como aquela novela “que foi sem nunca ter sido”.A não ser no capítulo de estreia,que arrasou mesmo e nunca vamos nos esquecer do que vimos ali.De lá para cá,o que se tem visto ali é um samba de crioulo doido. Quem xingava agora fala palavras doces, e quem chorava agora ri.


Enfim,a “nova” “Babilônia” pode até agradar, mas nunca vamos saber o que de fato a novela teria nos mostrado se não fosse a “tesoura” dos mais conservadores(?) e,claro, dos falso moralistas.

***


André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

Crítica de "I Love Paraisópolis", por André Araújo

Por André Araújo
Em maio de 2015

O que é uma boa novela?...É aquela que tem uma história consistente e convincente ou é aquela que, por pura “devoção” do telespectador, por mania mesmo de sintonizar na Rede Globo, deixa a TV ligada no horário mesmo que não se importe com o que está sendo exibido?... Nesses tempos de luz cara, é um risco. Mas como existe telespectador demais e grandes atrações de menos, alguma coisa sempre vai dar audiência; repito,mesmo que não se preste atenção no que está no ar.

De 1990 para cá, a Rede Globo tem pago um preço alto para se manter no topo.Sem dúvida alguma, é (ainda!) a  emissora de TV mais vista no Brasil, mas não mais campeã em todos os horários,como já foi um dia. E depois do sucesso que foi a novela “Pantanal”, de Benedito Rui Barbosa, que dominou todas as rodas de conversas sobre novelas naquele ano de 1990, nunca mais a emissora fundada pelo falecido jornalista Roberto Marinho foi a mesma.

E em 1990, se a novela das seis,"Barriga de Aluguel”,de Glória Perez (só para citar um exemplo!),era sucesso absoluto,a das sete,”Mico Preto”, de Marcílio Moraes,ia mal das pernas,ao mesmo tempo em que “Meu Bem,Meu Mal”,de Cassiano Gabus Mendes, começava a deslanchar. Na  época,isso era motivo de grande preocupação,o que fazia a direção geral da emissora arrancar os cabelos, uma vez que até 1989 todas as novelas exibidas, até  mesmo no “Vale a Pena Ver de Novo”, eram líderes de audiência do começo ao fim. Isso era uma regra. Daí em diante,tudo começou a mudar, já que as concorrentes criaram coragem de investir pesado para concorrer também,causando grande alvoroço no meio artístico, e sobrando vaga de emprego para todos os profissionais da área, que passaram a ser valorizados por seus contratantes.

Muitos atores e atrizes do primeiro time, que estavam fora do mercado, com uma ou outra atuação no teatro,ou ponta em alguma novela, foram contratados a peso de ouro,mesmo que continuassem fora do ar; era a tal de “reserva” que alguns autores exigiam para as novelas que ainda estavam ganhando forma nas sinopses,só para que a emissora tal não os contratasse antes. Em 1993,por exemplo, o autor Flávio de Souza foi contratado para escrever uma novela para o SBT chamada “Mariana, a Menina de Ouro”.

Silvio Santos contratou meio mundo de profissionais e a novela nunca saiu do papel. O contrato de cada um expirou e...nada! Havia dinheiro demais e estrutura de menos.E nada aconteceu. Enfim,os anos se passaram, e as novelas também. Apelo popular tornou-se uma regra desde o sucesso de “Avenida Brasil”,de João Emanuel Carneiro,em 2012,onde as classes “C”,”X”,”Y” e “Z” passaram se reconhecer em seus “a perder de vista" de tantos personagens. Mas se a saga da justiceira “Nina” (Débora Falabella) agradou,o mesmo não se pode dizer de “Morena”(Nanda Costa),que protagonizou sua substituta,”Salve Jorge”, de Gloria Perez, novela essa que foi polêmica pelo excesso de história, e problemática para a autora e a emissora, que sofreram duras críticas do começo ao fim, já que a trama revelou-se sem foco e confusa em todos os sentidos.

Então...Com a “proliferação” de mocinhas-barraqueiras-arrogantes-com-a-resposta-pronta-na-ponta-da-língua, eis que a nova novela das sete,”I Love Paraisópolis”,de Alcides Nogueira, que nunca acertou ao “aterrissar-solo”,vem aí com mais uma “comunidade” em xeque, onde, mais uma vez (precisava mesmo?), sua  protagonista, ”Marizete” (Bruna Marquezine, ou seria uma “Lurdinha” de “Salve Jorge” repaginada?), tem a arrogância como cartão de visita e não “abaixou a crista” em momento algum, nem mesmo na cena onde ela joga um balde de tinta vermelha sobre o “Benjamin” (Maurício Destri) conseguiu abaixar as armas, sendo estúpida do princípio ao fim da sequência. 

"Pelamor” de Deus! Quem mora em favela/comunidade não consegue mostrar boa educação nunca?  É alguma crítica  aos menos favorecidos pela nossa economia? Esse povo não lê,não vai à escola,bnão sabe nem mesmo o que  é uma faculdade? De doer. E esse  tipo de mocinha enjoadinha apresentada na nova trama das sete não tem  mesmo por que agradar; e esse pseudo carisma que os autores acreditam que elas têm, não é nada inteligente. Deseduca, para ser mais exato. Se for sucesso, será imitada por meio mundo de garotas da mesma faixa etária, acreditem.

Tatá Werneck, que é engraçadíssima,veio com uma personagem, "Danda", disposta a ganhar o público na primeira fala, mas... Que dicção foi essa que eu sinceramente não ouvi? Triste! Se a atriz tinha uma voz chatinha em “Amor à Vida”, do Walcyr Carrasco, a atriz voltou muito pior. Será que o Wolf Maya,diretor da novela, não se deu conta disso? E o que dizer de Caio Castro ("Grego") e Letícia Spiller ("Soraya")? Os personagens podem até ser caricatos, mas a “interpretação” dos atores (?) beira mesmo o mau gosto! Mas se a audiência da estreia foi boa...Pobre dos telespectadores que vão acompanhar todos os próximos capítulos!

***

André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

terça-feira, 14 de abril de 2015

“Rainha de Sucata” completa bodas de prata

Eduardo Caetano*

“Sucateira! Ferro velho, fogão velho, peça de motor! Sucateeeeeeeeira!!!”. Como esquecer Regina Duarte, na pele de Maria do Carmo, aos berros, com sua caminhonete velha, tirando forças das entranhas para voltar a vender ferro-velho? Pois é, o sucesso “Rainha da Sucata” acaba de completar bodas de prata no último dia 2 de abril. E o momento é oportuno para relembrarmos esta trama, que trazia uma boneca de sucata dançando lambada na abertura e caiu no gosto popular.

Feita por encomenda pelo aniversário de 25 anos da Globo, em 1990, “Rainha da Sucata” marca a estreia de Sílvio de Abreu no horário nobre. A trama, que foi ao ar no início do Governo Collor, traz um Brasil retrato de São Paulo com pobres enriquecidos e ricos falidos. A novela conta a histórica de Maria do Carmo Pereira, a menina pobre, de família portuguesa do bairro Santana, filha de um sucateiro e de uma dona de casa, que estuda no colégio particular com crianças ricas (não é explicado se ela tinha bolsa ou não) e se apaixona pelo principal playboy da turma, Eduardo Albuquerque Figueiroa (Tony Ramos). Vítima de bullying em seu baile de formatura da oitava série, é humilhada pelo amor da sua vida e amigos com um banho de lama. Nas suas costas colaram um cartaz com a inscrição: “Rainha da Sucata”. Uma versão ingrata da noite de Cinderela.

Os anos se passam e a tradicional e quatrocentona família Figueiroa, dos Jardins, vai à falência e vive apenas de aparências. Maria do Carmo se torna a maior empresária do Brasil no ramo de venda de automóveis. Fiéis a suas raízes, ela e o pai foram comprando os terrenos ao lado e construindo praticamente um castelo no popular bairro do Santana, onde acontecem promovem churrascadas e feijoadas aos amigos.

Do Carmo é dona de um prédio na Avenida Paulista, no qual funciona sua empresa. Nossa protagonista resolve apostar numa casa de shows chamada “Sucata”, onde a lambada, ritmo em evidência à época, é a grande atração do estabelecimento, que fica no alto de seu edifício. O prédio, aliás, é praticamente um dos protagonistas da trama.

Ainda no primeiro capítulo, falido e sem perspectivas, Edu Figueiroa toma um porre e aposta com um mendigo bêbado que vai pular do alto do prédio da Sucata. E pula. Só que o “suicídio” do nosso mocinho não se completa porque ele está usando uma capa e, pela peça de roupa, fica preso no letreiro “Sucata”. Edu é resgatado e vira capa de jornal, expondo a derrocada dos Figueiroa. O artifício do pulo do alto do prédio e do letreiro “Sucata” é reutilizado no fim da novela, mas para revelar uma trama macabra.

Ela pode tudo!
Soberana, Do Carmo vem de dois casamentos e é noiva de Gerson (Gerson Brenner). Mas não está satisfeita. Dentro daquele mulherão, praticamente uma máquina, mora uma menina apaixonada, que nunca esqueceu o amor dos tempos de escola. E, como ela pode tudo, Maria do Carmo decide comprar o amor de sua vida.


Ela sabe que a madrasta de Edu, a terrível Laurinha Figueiroa (Glória Menezes) é perdidamente apaixonada por ele. O autor utilizou a mitologia grega como referência para criar a personagem, inspirando-se na história de Fedra, que se apaixona pelo enteado Hipólito. Mas Do Carmo compra essa briga. Nossa mocinha, não tão convencional, usa de todos os artifícios para conquistá-lo. Joga vinho do vestido de Paulinha (Claúdia Ohana), namorada de Edu, para tirá-la de uma festa e o agarra. Decide se tornar sócia de sua madrasta, patrocina sua corrida, patrocina seu projeto de lançar um novo automóvel no mercado... E ele casa com ela. E só. Edu, na condição de ter sido “comprado”, recusa-se a ter uma vida conjugal. É aí que começa a derrota da Rainha da Sucata.


O fim do Império
Dona do pedaço, Maria do Carmo vive como verdadeira rainha. Sua mesa em forma de carro na presidência da Do Carmo Veículos marcou época. No entanto, após gastar mundos e fundos com Edu, Maria do Carmo descobre que seu pai, Onofre foi amante de Salomé (Fernanda Montenegro) por mais de 40 anos, deixando metade da fortuna para ela e seus meio-irmãos, Caio (Antônio Fagundes) e Mariana (Renata Sorrah). Além disso, numa jogada absurda, Maria do Carmo aposta suas ações com os acionistas e perde, sem contar que descobre não ser a verdadeira proprietária do terreno onde tinha um edifício na Avenida Paulista, já que seu pai e o falecido marido de Dona Armênia (Aracy Balabanian) teriam enganado a viúva na compra do terreno.

As armações do vilão Renato (Daniel Filho) também contribuem para a falência da sucateira. Renato, inclusive, seduz e se casa com Mariana para se apropriar da fortuna de Onofre. Porém, pouco antes de falir definitivamente, Maria do Carmo é humilhada pelo marido e atira nele, indo para trás das grades. À medida que ela começa empobrecer, a trama vai perdendo o tom cômico e ganhando um ar sinistro, meio de suspense.

No fim das contas, sobra para nossa heroína a miséria e a vontade de vencer. É neste momento que ela volta a vender sucata e acaba despertando, inconscientemente, o amor de Edu.


Maria do Carmo X Laurinha Figueiroa: Universos que se confrontam
Extravagante, usando roupas com cores berrantes, falando alto, gargalhando e curtindo a vida, Maria do Carmo era um personagem solar. Já Laurinha, sempre discreta, de gestos comedidos, falando baixo e com roupas sóbrias, chegava a ser meio sombria. Mais do que duas personagens que se confrontavam, Maria do Carmo e Laurinha representavam dois universos em conflito. Assim como nas grandes novelas: Raquel X Maria de Fátima (Vale Tudo), Tieta X Perpétua (Tieta), Xica X Violante (Xica da Silva).

Laurinha faz de tudo para derrubar Maria do Carmo. Mas, após a mocinha ficar pobre e começar a se reerguer, a vilã se dá conta que Edu realmente ama Maria do Carmo. Neste momento, já sabemos que Laurinha é autora do assassinato do marido diabético Betinho (Paulo Gracindo), pois trocou injeções de insulina por glicose, teve um filho fora do casamento, Rafael (Maurício Mattar), jogou ácido numa ex-empregada e a colocou na cadeia por ela ser uma ameaça ao seu caso extraconjugal.

Na miséria, prestes a ser desmascarada pelo assassinato do marido e sem o grande amor da sua vida, Laurinha chegou ao fim da linha. Então astuta uma das mais cruéis, absurdas e geniais armadilhas que uma vilã pode armar para a mocinha: ela se suicida e deixa a culpa para a inimiga.

No ápice do ódio, a madame vai à casa de Maria do Carmo, aproveita que Neiva está sozinha e, com uma conversa esfarrapada, leva embora a máquina de escrever da adversária. Escreve cartas ameaçadoras e envia para si mesma. 

Uma semana antes do fim, durante o show de sua filha Adriana (Cláudia Raia) na “Sucata”, as arqui-inimigas protagonizam uma das mais eletrizantes cenas da teledramaturgia. Laurinha atrai Maria do Carmo para o alto do edifício na Paulista (novamente ele), finge que vai jogá-la lá de cima e diz “Seria muito pouco para você. Um dia eu te disse que queria te ver apodrecendo numa cadeia, junto com os ratos. E é para lá que você vai”. Parte para cima dela e lhe arranca um brinco. A mocinha berra de dor e medo, com a orelha sangrando. Segurando a joia com todas as forças, a vilã solta uma gargalhada macabra e diz: “Eu nunca vou ser feliz com o Edu, mas você TAMBÉM NÃO VAI! Sua sucateira ordinária!”. Laurinha vai se afastando até a beirada e Maria do Carmo clama para que ela não pule, mas antes de se jogar do prédio, a vilã grita: “Sua vida acaba agora!” e salta para a morte.

A única testemunha é o vilão Renato, que está disposto a prejudicar Maria do Carmo. Nossa heroína foge e, com a ajuda de Edu, fica escondida por um tempo onde a polícia jamais a encontraria, na mansão da suicida. Mas, como o texto de Sílvio de Abreu é genial e cíclico, o suicídio de Laurinha do alto do edifício remete ao pulo de Edu no primeiro capítulo. E, assim como ele ficou preso pela capa no letreiro, o sapato de Laurinha fica pendurado na “Sucata”. Além disso, a marca de sapato de Laurinha no cimento fresco no alto do prédio (que Renato tentou camuflar) faz a investigação concluir que ela pulou, ao contrário da versão de que ela foi empurrada.


O estilo cômico de Sílvio de Abreu no horário nobre
Ainda no início da trama, duas cenas antológicas, de comédia rasgada, marcam “Rainha da Sucata”. O português Onofre, pai de Maria do Carmo, morre nos primeiros capítulos, deixando a viúva Neiva (Nicette Bruno). Na hora do enterro, a vizinha, Salomé, tem um surto e, arrancando a blusa e levantando a saia, acaba revelando que foi amante do finado por mais de 40 anos e morrendo junto com ele. Fernanda Montenegro, mais uma vez, dá um show de interpretação e rouba a cena tragicômica.

Ainda na apresentação da novela, a estabanada Adriana destrói um show de Marília Pêra, interpretando a si mesma, com suas trapalhadas. A “bailarina da coxa grossa” forma um hilário triângulo amoroso com o gago e confuso professor Caio e “o purgante” Nicinha, que depois vira biscate.

A trambiqueira chique Isabelle (Cleide Yáconis), mãe da francesinha Ingrid (Andréa Beltrão), também levou o público aos risos.


Dona Armênia é uma novela á parte
O que falar de Dona Armênia e “suas três filhinhas” Gerson, Gino e Gerardinha? A primeira personagem a participar de duas novelas (fez tanto sucesso que dois anos depois o autor a trouxe de volta na trama de “Deus nos Acuda”), marcou época com seu bordão: “Vou botar essa prédio na chon!”. Aracy fazia o público rolar de rir, seja por suas artimanhas, por trocar o gênero com seu sotaque ou por seu romance com o quitandeiro Moreiras (Flávio Migliaccio).

Verdadeira dona do terreno na Paulista, ela ameaça implodir o edifício para pegar sua propriedade de volta. Passa a novela toda ameaçando: “Vou botar essa prédio na chon!”. No passado, o português Onofre e o falecido marido de Armênia, o italiano Giácomo, fizeram a amante turca de Giácomo, Samira, se passar por Armênia e falsificar sua assinatura para fazerem negócio no terreno.

Anos depois, Armênia consegue reaver seus direitos e se torna “o Rainha do Sucata”. A cena em que ela explica aos acionistas da empresa como “um mulher da bairro” consegue ser “dono de uma prédio no Avenida Paulista” é impagável.

Quem foi rainha nunca perde a Majestade
Uma mocinha sem papas na língua, Maria do Carmo era única, apesar de ter características de duas personagens marcantes de Regina Duarte: Viúvia Porcina (Roque Santeiro) e Raquel (Vale Tudo). Tomou banho de lama, deu banho de ouro nos seus inimigos e, tal qual como Dante, foi ao inferno e voltou - foi, inclusive, a mocinha que desceu mais ao fundo do poço nas novelas. Termina a novela novamente milionária, mas desta vez com o amor de sua vida. Porém, se for preciso, não duvido que arregaçaria as mangas novamente e se colocaria a berrar: “Sucateira! Ferro velho, fogão velho, peça de motor! Sucateeeeeeeeira!!!”.


***

Ler significa reler, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam". Essa frase, do teólogo Leonardo Boff, resume bem a personalidade do jornalista Eduardo Caetano*. Nascido em janeiro de 1982, ele é formado pela Universidade Católica de Santos e encontra nas observações, sempre muito coerentes a respeito da vida real e da teledramaturgia, respostas que distribui a quem está disposto a ouvir. Atua, também, como assessor de imprensa.


Maria do Carmo volta a vender Sucata



Salomé surta no enterro de Onofre



Dona Armênia em reunião com acionistas da empresa




Suicídio de Laurinha


Show da inauguração da Sucata


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Alice, a proposta indecente de Gilberto Braga - por Tamara Caetano

Tamara Caetano*

Desde as primeiras cenas, Gilberto Braga já mostrou que Babilônia não é uma novela água com açúcar. Com uma narração veloz (muito bem estruturada) e bem realista, fomos apresentados a diversos personagens materialistas, cínicos, com princípios morais duvidosos e que pouco pensam no outro.

O público pode escolher: têm cafajestes para todos os gostos. A começar pela ninfomaníaca Beatriz (Glória Pires), que se aproveita de uma mulher em estado vegetativo para se aproximar do futuro viúvo, até o prefeito Aderbal, que pousa como pai de família exemplar, religioso e defensor do povo, mas no fundo é um picareta que desvia verba pública e comete diversos atos que publicamente ele recrimina. Uma caricatura de muitas figuras públicas que vemos hoje.

Em um mundo com tantos espertos, Regina (Camila Pitanga), até então a mocinha da história, se destoou demais de “Babilônia”. Não acredito que seja por conta do trabalho da atriz, Camila Pitanga está segura em seu papel, mas acho que o texto de Braga pede outro perfil de protagonista e talvez neste momento Alice (Sophie Charlote) ganhe campo. Potencial a personagem e a atriz já mostraram que têm.

Desde primeira fase, ela vem se destacando. Ainda criança, Alice teve papel fundamental na apresentação de sua mãe, Inês (Adriana Esteves), ao público. A menina foi espectadora de uma briga entre seus pais (a clássica discussão de casal sobre a “vida difícil” que Gilberto Braga não abre mão), em sequência, quando questiona a mãe sobre o lanche que ela ficou de comprar para levar à escola, Inês, de olho em uma revista que publica uma reportagem sobre Beatriz dispara de forma áspera: “Leva banana!” e logo torna a falar da amiga.

Ali, fica claro a falta de interesse da vilã por sua família e, também, a obsessão pela arquiteta. Ainda vale lembrar que o vídeo que comprova o adultério de Beatriz, e que Inês usou para chantageá-la, foi feito da máquina fotográfica que Alice ganhou de Natal de seu pai, Homero (Tuca Andrada). Na segunda fase, Alice vem dando mais pano para manga. Em menos de 20 capítulos, a garota engravidou do motorista de seu noivo ancião, esbofeteou a mãe, perdeu o bebê, perdeu o pai, voltou para o Brasil e se envolveu com Murilo (Bruno Gagliasso) sem saber que ele é um cafetão, além de quase chegar a fazer seu primeiro trabalho como garota de programa.

Por outro lado, Regina está há quase duas semanas em um único dilema: saber se pode confiar em Vinicius (Thiago Fragoso) depois de descobrir que ele ainda é casado no papel. Pouquíssimo apelo para prender um público tão exigente. Quem sabe quando ela desvendar a morte do pai, sua trama cresça.

Anti-heroína não seria uma novidade para Gilberto Braga. Júlia Matos (Sônia Braga) de “Dancyn Day’s” (1978), personagem ícone do autor, é uma ex-presidiária que após sofrer nas mãos da irmã, Yolanda Pratini (Joana Fomm), e ser abandonada pelo namorado Cacá (Antônio Fagundes), se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), por interesse. Júlia faz uma viagem internacional e após um banho de loja, volta triunfante na inauguração da boate “Dancyn Day’s” pronta para se vingar de todos. Ligia (Betty Faria) de “Água Viva” (1980, também escrita por Gilberto Braga) era uma carreirista que sonhava entrar para a alta sociedade e também se casou por estabilidade financeira com Miguel Fragonar (Raul Cortez). Sophie Charlote também já encarou algumas mocinhas “às avessas”, a Amora de “Sangue Bom” (2013) e Duda de “O Rebu” (2014), que até participou do assassinato de Bruno (Daniel Oliveira), seu namorado.

Após pesquisas feitas pela Rede Globo foram divulgadas notas que a Alice seria um dos personagens com maior modificação de “Babilônia” para reconquistar o ibope. O plano era que ela aceitasse trabalhar como garota de programa e começasse a ter uma relação com Evandro (Cássio Gabus Mendes), agora parece que Evandro e Alice se conhecerão de outra forma e se tornarão amigos possibilitando, mais para frente, um romance. Também enxergo a hipótese de Murilo se apaixonar de verdade pela namorada. Quem sabe um triangulo amoroso “à lá” o filme “Proposta Indecente”* (1993)? 

Não sei qual caminho Gilberto Braga deve seguir, novela é uma obra aberta. Eu espero que ele seja feliz em sua escolha e que Babilônia não seja encurtada, desde “Avenida Brasil”, não me empolgo tanto com os primeiros 20 capítulos de uma novela das oito. 

*Filme de 1993 - Um casal enfrentando dificuldades financeiras resolve tentar a sorte em Las Vegas, mas nada consegue. No entanto, conhecem John Gage, um bilionário (Robert Redford) que oferece um milhão de dólares ao marido, David (Woody Harrelson) para permitir que a sua mulher, Diana (Demi Moore) vá para a cama com ele por apenas uma noite.


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Tamara Caetano é jornalista formada em Comunicação Social - Jornalismo, pela Universidade Católica de Santos. É repórter free-lancer de vários veículos de comunicação, assessora de imprensa e, quando tem tempo livre, uma crítica apaixonada de telenovelas.

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