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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os quatro erros de "A Regra do Jogo", por André Araújo

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

Para atrair público antes da estreia, “A Regra do Jogo” foi "vendida" para o telespectador como “a novela do mesmo autor de “Avenida Brasil”, o grande sucesso das novelas de 2012. 

De fato, chamariz melhor não poderia haver,uma vez que sua antecessora, ”Babilônia”, de Gilberto Braga, fez a Rede Globo puxar os próprios cabelos desde seu segundo capítulo, despencando dia após dia, piorando ainda mais quando o telespectador resolveu, de vez, escolher “Os Dez Mandamentos”, de Vívian de Oliveira, na Rede Record, como a “real novela das nove”.

Enfim, ”Babilônia” fez com que todo mundo mudasse de canal em seu horário de exibição e a emissora dos Marinho teve de "rebolar" para colocar no ar algo que trouxesse esses telespectadores de volta. Acontece que quando a nova novela do autor João Emanuel Carneiro estreou em 31 de agosto 2015, a trama da emissora do Bispo Edir Macedo estava no auge. A Vênus Platinada foi mesmo ingênua em acreditar que a substituta da novela do autor de “Vale Tudo” fosse “reerguer” o velho horário nobre em um simples estalar de dedos. Esse foi o erro número um.

Se “Os Dez Mandamentos” estava no auge, e faltavam 60 capítulos para seu término, dava para esperar mais um pouco. Certamente o público teria voltado para a Rede Globo. Em 1999, a novela “Suave Veneno” (alguém lembra?), de Aguinaldo Silva foi um grande fiasco desde sua estreia, em 18 de janeiro, mas “Terra Nostra”, de Benedito Rui Barbosa, só estreou mesmo quando estava verdadeiramente pronta. E deu certo, mesmo sendo uma história que tenha dado sono logo após a primeira fase, mas o Ibope já estava ganho, não havia concorrência e o sucesso foi absoluto.

O erro número dois de “A Regra do Jogo” foi a enxurrada de personagens que ninguém sabia conseguia definir. Afinal, quem era vilão e quem era mocinho da trama? Se a favela “Morro da Macaca” poderia ter sido vista como uma “parte do Brasil”, o telespectador se mostrou cansado com a “novidade”, uma vez que o enredo ali apresentado no trama do elogiado autor podia ser vista em todos os telejornais sensacionalistas que costumam explorar a desgraça alheia. Manhã, tarde ou noite, o que não falta na TV são “telejornais” como o “Brasil  Urgente!”. Quer ver desgraça? Liguem em qualquer canal e lá está história infeliz para todos os gostos. Como dizia Janete Clair, seu compromisso era com o “sonho”. E sempre foi isso que os telespectadores queriam ver nas novelas, mesmo que vez ou outra uma trama “realista” conseguisse algum sucesso. Apresentar um “Universo” cheio de realismo sujo como esse de “A Regra do Jogo” deu mesmo uma grande “embrulhada” no estômago de todo mundo que decidiu optar pela novela da Rede Globo.

Erro número três: trama totalmente masculina. Por mais que homens e mulheres acompanhem novelas quase no mesmo nível, telenovelas sempre foram escritas para mulheres. E do que as mulheres gostam na TV? De histórias de amor,vingança e embate entre vilã e mocinha pelo amor do grande herói da história que, em geral, tem personalidade definida, mesmo que em certos capítulos se revele dúbio. Mas é aí onde entra a magia da coisa: o telespectador precisa torcer por alguém.

Erro número quatro: anti-herói não dá mais ibope como já deu nas novelas do passado, a não ser que seja uma comédia pastelão bem nos moldes das novelas do Carlos Lombardi. E o excesso de tramas paralelas chatas fizeram com que a trama central ficasse quase em segundo plano. Afinal, quem é Atena (Giovana Antonelli)? Tóia (Vanessa Giácomo) é de fato a mocinha da trama? E o mocinho, quem é? Juliano (Cauã Reymond) ou Romero (Alexandre Nero)? 

Quando anunciou-se “A Regra do Jogo”, todo o público esperou por uma mistura de “A Favorita”(2008) com “Avenida Brasil(2012), mesmo que isso não fosse dito, mas o que temos visto na novela tem ficado muito aquém do que se esperou. E, por falar em “Avenida Brasil”, o autor João Emanuel Carneiro apostou mesmo todas as suas fichas na trama central, uma vez que as tramas paralelas da novela não diziam nada. Em “A Regra do Jogo”, temos o inverso, pois a novela conta com excessivas histórias secundárias, deixando a história central meio “vazia”.

Ainda dá tempo de dar uma "melhorada" e fechar a novela com uma audiência incrível,uma vez que o interesse do telespectador pela trama tem crescido em todo o Brasil. Fica a dica, João Emanuel Carneiro!

***

André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

"Êta Mundo Bom" prova que Walcyr Carrasco é um novelista de primeira

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

A primeira vez que ouvi falar em Walcyr Carrasco foi em meados de 1989,quando uma revista de fofoca anunciou que o SBT exibiria, à partir de outubro do mesmo ano, uma novela intitulada “Cortina de Vidro” que teria Herson Capri e Nívea Maria como protagonistas,além de grande elenco. Para completar, a pequena matéria ainda explicou que toda a produção seria independente,tendo Guga de Oliveira (Irmão do “todo-poderoso” Boni!), como diretor, supervisor de texto e responsável pela exibição da trama.

As gravações começaram em agosto de 1989 e a atriz Nívea Maria, sondada para protagonizar “Gente Fina” na Rede Globo, abandonou o projeto, alegando “amadorismo” do diretor. Mas a “baixa” foi resolvida logo e Ester Góes foi chamada para substituí-la. Em 23 de outubro do mesmo ano, “Cortina de Vidro” estreou às 19h40. Adorei o primeiro capítulo, mas alguns episódios depois vi que, embora a trama fosse dinâmica, "faltava alguma coisa”, talvez devido ao numeroso elenco.

De fato,a história começou a ficar confusa. As tramas secundárias começaram a ter o mesmo peso da trama central e tudo ali se desajustou de vez, mas eu dizia: “Esse Walcyr Carrasco é bom, mas está apresentando tudo ao mesmo tempo, um erro”. Acho que o autor se deu conta dessa verdade e de repente toda a novela mudou. O autor promoveu um incêndio na história e grande parte dos personagens saiu de cena, incluindo a protagonista Branca (Betty Gofman), que deu lugar para a personagem da (hoje jornalista) Sandra Annemberg, que estava muito à vontade no papel da operária Angela.

A novela foi um fiasco e acho que nem seu elenco a acompanhou. Mas mesmo com o insucesso da primeira novela de Walcyr Carrasco,vimos ali o potencial do autor que, no final de 1990 ainda nos deu de presente a minissérie “Rosa dos Rumos”, exibida pela Rede Manchete, a real amostra de seu talento. Seis Anos depois, em 1996,a mesma emissora exibiu outro êxito do versátil Walcyr Carrasco,”Xica da Silva”,um novelão de época que se tornou o grande sucesso do ano. 

Para completar, contratado do SBT, que recusava todas as sinopses do autor, o escritor assinou a saga da escrava Xica com o pseudônimo “Adamo Angel”, causando grande frisson no meio, uma vez que ninguém nunca havia ouvido falar nesse tal novelista. Sucesso do começo ao fim. E o sucesso foi tão estrondoso que a trama durou um ano no ar, ou seja: foram 231 capítulos de uma história que se apresentava diferente a cada mês. A trama simplesmente não se repetia e em nada mudava o curso do enredo principal, que conquistou nobres e plebeus.

Silvio Santos descobriu a “sacanagem” de Walcyr e, para puni-lo, pediu a ele uma trama inédita para o SBT, o que o “patrão” Silvio foi prontamente atendido. Mesmo com toda a trama de “Pérola Negra” pronta, Silvio Santos reconheceu em Walcyr Carrasco uma nova Janete Clair e apostou tudo em “Fascinação”,que estreou no mesmo dia de “Torre de Babel” (25 de maio de 1998) que, para sorte do SBT, entrou em crise de aceitação já na primeira semana.

“Fascinação” foi exibida com grande sucesso e foi aí que as portas da Rede Globo se abriram para Walcyr Carrasco, que estreou “O Cravo e a Rosa” com estrondoso sucesso,levando a audiência das seis ao ápice. Sucesso do começo ao fim. E já com essa novela, o escritor consolidou de vez seu talento como autor de novelas. Depois dessa, outros sucessos vieram, como “Chocolate Com Pimenta”,"Alma Gêmea”,”Sete Pecados”, "Gabriela”,"Amor à Vida”, a grande surpresa que foi “Verdades Secretas” e agora “Êta Mundo Bom”, atual folhetim das seis,que tem batido todos os recordes de audiência desde sua estreia, em 18 de janeiro.

E por que não apostar numa trama previsível e cheia de clichês? Essa é a verdadeira chave do sucesso para as telenovelas. De realidade, todos os telejornais estão cheios. E novela de verdade é a que temos visto desde que a trama protagonizada por Sérgio Guizé (Candinho) entrou no ar. Depois de um dia intenso de trabalho, o povo brasileiro tem o direito de chegar em casa e se deparar com uma história como essa, que tem sido ágil desde o primeiro capítulo.

O elenco é, na maioria, o mesmo que tem costume de trabalhar com o autor, e Jorge Fernando, na direção, completa o quadro. E assim como nas novelas de Dias Gomes não poderia faltar Paulo Gracindo, e nem nas tramas de Janete Clair não poderia deixar Francisco Cuoco de fora, em novela de Walcyr Carrasco não poderia deixar de ter Elizabeth Savalla, que tem tudo para roubar a cena com sua personagem “Cunegundes”, que embora esteja muito exagerada, ainda tem muitos capítulos para ficar mais à vontade. E novela que se preza tem de ser assim mesmo: folhetim. E nisso,Walcyr Carrasco não precisa mais provar nada.

Sua novela está linda,Walcyr! Parabéns! Autor de verdade de novelas é você, que se encaixa em qualquer horário sem perder o estilo e,claro,o fôlego!


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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

"Além do Tempo" será para sempre um folhetim encantador

Por André Araújo
Em janeiro de 2016

No segundo semestre de 1990 a Rede Globo colocou no ar a tão aguardada novela “Barriga de Aluguel”, que Gloria Perez havia criado sete anos antes e,claro,engavetada,devido o “excesso” de “absurdos” que seriam abordados na trama. Inclusive, seu título original era “Novos Tempos”.

Visionária, mergulhada no universo de sua mestre Janete Clair (1925 - 1983), Gloria Perez sabia mesmo do que estava falando e sua novela em 1990 deu mesmo o que falar. Era a novela “das oito” no horário das seis. "Barriga de Aluguel” não fez feio nem mesmo quando a emissora adiou sua substituta, e a autora teve de espichar a história em mais 70 capítulos, fechando a novela com 243 capítulos, a mais longa novela do horário, o que poderia ter esvaziado a história, o que de verdade não aconteceu.

E o público, além de continuar ligado na trama, não só via a novela como também a discutia em todas as rodas de conversas quando o assunto era alguma coisa ligada ao mundo da TV. Não teve jeito! Todo mundo se ligou no drama das duas mães que queriam ficar com a criança gerada num barriga alugada! Foi um drama atual e inteligente! E que drama! Sucesso igual só foi visto e debatido três anos mais tarde,com o “remake” de “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro (1916 - 1995), recorde de audiência em todos os seus 180 capítulos exibidos.

Vinte e dois anos após seu grande “boom” no horário das 18h, a Rede Globo nos deu de presente uma novela chamada “Além do Tempo” em que a autora, Elizabeth Jhin, misturou o kardecismo tão bem usado por Ivani Ribeiro em algumas tramas, com as polêmicas típicas das histórias criadas por Gloria Perez, como a obsessão de Melissa (Paola Oliveira) em “salvar” seu casamento por “pura birra” e usar o filho para castigar o ex-marido, mostrando o que fato se entende por alienação parental, além de discutir o “racismo”, tão em evidência atualmente, quando negros são chamados de macacos em pleno século 21. Enfim, uma trama açucarada, mas bem atual e sem perder a força de um folhetim típico do horário das 18h que sempre teve público ingrato.Um primor de novela!

Embora o principal triângulo amoroso da trama fosse a história de “Melissa-Felipe-Lívia", o que de fato cativou a todos os telespectadores foi o “eterno duelo” entre as personagens de Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache, que roubaram para si todas as cenas em que atuaram. O público sabia que Emília sofreu nas mãos de Vitória no século 19 e presenciou a vingança que ela impôs, na atualidade, à sua antiga rival. Como epílogo, o acerto de contas e o perdão.Quem foi mau na vida passada pagou pelos seus pecados nessa existência e se redimiu. Para fechar, o amor tomou de conta de todos os corações e todas as cenas foram, de fato, lindas.

Ah! Nem tudo foi interessante em cada capítulo? Foi, sim. Ao final de cada um, um gancho que nos fazia pensar em como seria o capítulo seguinte. E lá se vinha uma nova leva de emoções e suspenses inteligentes que nos faziam esperar pelo outro. A autora soube dosar cada “episódio” e a novela, em momento algum, se esvaziou, mesmo que no começo da segunda fase o público tenha se questionado sobre a qualidade da história: mas afinal, o que é uma novela senão um novelo que vai se desenrolando aos poucos? Elizabeth Jhin conseguiu a proeza de cativar seu público. E com a vantagem de nos dar de presente apenas uma trama simples, nada mais. Trama simples e ao mesmo tempo ousada, pois tivemos duas novelas em uma só. Parabéns à autora e toda a equipe da novela, que foi maravilhosa do começo ao fim.
Enfim,"Além do Tempo" será para sempre um folhetim encantador.

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Verdades Secretas": qual o segredo para o sucesso da novela?

Por André Araújo*
Em setembro de 2015

Janete Clair se reinventava a cada novela que escrevia, embora escrevesse sempre a mesma história. Walcyr Carrasco se reinventa a cada novela que escreve e tem se superado de um modo nunca antes visto desde que perdemos Janete Clair e Ivani Ribeiro, as grandes damas da televisão brasileira como escritoras de novelas. 

Saudades das duas, mas como o show não pode parar, desde que a Rede Globo contratou o autor de “Verdades Secretas”, em 2000, temos visto um sucesso atrás do outro e o telespectador vem mesmo se entusiasmado por voltar a assistir uma boa história a cada dia. Dom de poucos, talentoso demais esse Walcyr.

“Verdades Secretas” já começou por cima, fazendo a denúncia do “book rosa” que, até então, a maior parte dos brasileiros nunca tinha ouvido falar, desnudando o mundo fashion como jamais se viu. Chocou, mas ninguém quis parar de ver. Com tanta novela sem graça sendo exibida, restava uma excelente alternativa para quem, como eu, ama uma boa história em capítulos. E mesmo em um horário tão ingrato, valia a pena acompanhar a saga de Carolina (Drica Moraes) e sua vida sofrida. E que vida! 

A personagem carregou a marca do sofrimento desde a estreia, quando descobriu a vida dupla do marido, Rogério (Tarcísio Filho), e acabou tendo de ir viver a própria vida, mesmo contra sua vontade. Mas o que lhe restava?

Durante os 64 capítulos exibidos, quatro dias por semana, "Verdades Secretas” foi subindo no ibope devagar e chegou ao último capítulo cercada de expectativas, "bombando" nas redes sociais e pelo público de um modo geral, tal qual aconteceu com “Avenida Brasil” (2012), do João Emanuel Carneiro. E qual o segredo para o sucesso da nova novela de Walcyr Carrasco? Simples: a não-mesmice que tem se repetido de alguns anos para cá e uma boa história focada em tramas inteligentes e diretas, bem diferente do que estamos acostumados a ver. Exatamente por isso muito brasileiro perdeu o sono para acompanhar cada capítulo. Um show do autor, produção e elenco.

E por falar em elenco, Grazi Massafera foi do céu ao inferno e voltou ao céu carregada por anjos com sua personagem Larissa, que se envolveu com drogas e quase foi assassinada ao ser a “protagonista” (vítima!) de um estupro coletivo. Esta cena, por sinal, elevou a interpretação realista da atriz elevou-a ao rol das grandes estrelas da TV brasileira! Atuação perfeita, direção impecável e um texto perfeitamente bem escrito. De "babar"! 

O desfecho da protagonista Carolina (Drica Moraes) foi óbvio, mas chocante e, até certo ponto, inesperado. Mas diante de uma traição dupla e ainda ver a filha se jogando na frente do amante tentando impedir sua morte, o que poderia restar para a pobre coitada? Outro grande choque para a tão sofrida personagem de Drica (o pior deles, com toda certeza),que não viu outro caminho a seguir senão dar um tiro na própria cabeça e acabar com tudo. Chocante e perfeito!

Camila Queiroz atuou do começo ao fim como uma veterana e merece todas as honrarias pelo seu desempenho como Angel. Com a segurança de quem fora criada fazendo novelas, a novata arrasou em todas as cenas e convenceu. Talento que transbordou por todos os poros, consagrando-a como um grande nome para futuras produções;talento raro para quem nunca tinha feito nada antes. Desfecho maravilhoso e esperado por todos. Embora Angel tenha sua parcela de culpa ao trair a mãe, a personagem se “redimiu” perante o público ao deixar claro que se vingaria. Ela foi fria para planejar a morte do grande vilão-sedutor-cafajeste e tensa para concretizar sua vingança. Afinal, o amante Alex (Rodrigo Lombardi) era um infame, a peste em pé, para ser mais exato, um verdadeiro demônio. Sem contar que a personagem foi extremamente cínica para inventar que o ex-padrasto e amante caiu no mar por acidente. Perfeito!

Walcyr Carrasco pode até não ter agradado a gregos e troianos com a sua novela, mas é inegável a coerência da história como um todo e seu desfecho coeso, mesmo com a falha de Carolina ter morrido sem ter sabido do verdadeiro caráter de Fanny (Marieta Severo), que aproximou Alex de Angel, o que desencandeou toda a trama. A dona da agência merecia ter levado uns bons tapas na cara dados pela personagem da Drica! 

Outros nomes também se destacaram, como Reynaldo Gianecchini, Ana Lúcia Torre, Guilhermina Guinle e, claro, Rainer Cadete, que conquistou a todos com seu Visky, uma tour de force do ator, que arrasou do começo ao fim. Bravo! Bravíssimo! Esse também merece aplausos de pé!

Parabéns ao mestre Walcyr Carrasco e toda sua equipe! Sem nada a dever aos grandes novelões exibidos no horário das 21h, "Verdades Secretas” saiu do ar ovacionada pelo público e pela crítica! Sem dúvida alguma, a novela do ano 2015!

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As falhas de "A Regra do Jogo" (ou o que falta na novela)

Por André Araújo*
Em setembro de 2015

Esperei muito pela estreia de "A Regra do Jogo", uma vez que a trama vinha com a assinatura do João Emanuel Carneiro que, desde "A Favorita", conseguiu fazer com que eu voltasse a me interessar por telenovelas.

E à medida que eu lia sobre a nova trama antes da estreia, meu coração dava saltos, motivado por uma grande ansiedade, doido para "Babilônia" sair do ar. O que se viu no capítulo de estreia da nova novela do autor de "Avenida Brasil" foi uma história que "pegaria" a todos pela novidade e todos os capítulos seguintes viriam "batizados", como episódios de séries, como se fosse um longa inteligente e cheios de surpresas... Mas à medida que os "episódios" foram avançando, a trama foi se revelando tosca, sem graça e previsível demais. 

Sim, pois todos os personagens não são o que aparentam ser. E eu me perguntava: "Onde está a história de amor, mote de toda grande novela? Por quem torcer, se não há um par-romântico que passe verdade??" Fiz uma avaliação das novelas anteriores do autor e lembrei da "Flora", de "A Favorita". "Juliano", de "A Regra do Jogo", vem com o mesmo discurso! E aí? Outro vilão também? Para piorar, li que a "Tóia" vai se tornar vilã lá pelo capitulo 50.

- Que novela é essa,afinal??? Vamos torcer por quem? Onde está a alta direção da Rede Globo, que não se atentou para isso na sinopse?

Não é sempre que um anti-herói funciona! Isso acontecia somente nas novelas de Janete Clair! E ali era outra época! Sem contar que os anti-heróis criados pela eterna "maga das oito" não eram "do mal"! Eles não passavam de malandros ingênuos que, de alguma forma, queriam chamar a atenção de suas amadas. Ou ninguém se lembra mais do Carlão de "Pecado Capital"? Ele ficou com o dinheiro com o objetivo de mostrar para Lucinha (Betty Faria) que também podia oferecer a ela tudo o que o rival Salviano Lisboa (Lima Duarte) fazia.

Não é o sucesso de "Os Dez Mandamentos" que está tirando público da novela "A Regra do Jogo", mas sim o próprio autor, que tem escrito uma novela que simplesmente não tem foco! Que haja denúncias dentro da novela, mas onde está a "alma folhetinesca" que toda grande telenovela exige? 

Ainda dá tempo de criar um novela com triângulo amoroso convincente e uma vilão de verdade para interferir na história de amor. É o que falta na novela "A Regra do Jogo".

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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Porque "Os Dez Mandamentos" é um sucesso absoluto - Por André Araújo


Por André Araújo
Em setembro de 2015

O que é uma novela bem produzida?...O que é uma novela com elenco afiado e direção inovadora?...O que é boa novela?...A resposta sempre será essa: “Boa novela é aquela que dá audiência”.Ou todo mundo está pensando que a novela “Os Dez Mandamentos” está com tudo e não está prosa por conta do seu elenco maravilhoso ou do texto bíblico que autora Vívian de Oliveira tem adaptado? Hã? 

Assim como aconteceu com “Pantanal” em 1990 pela Rede Manchete,a atual “novela das oito” da Rede Record deu sorte por conta da azarada trama que Gilberto Braga escreveu para substituir “Império” de Aguinaldo Silva, que voltou ao horário mais nobre da Rede Globo para recuperar a audiência que Manoel Carlos jogou ao chão com a insossa “Em Família”,q ue em nada tinha algo que chamasse atenção.

Com o hábito de ter seus televisores ligados no horário “das oito” e com uma história que era um verdadeiro samba de crioulo doido,o telespectador resolveu (já era tempo!) virar as costas para a nova trama do autor de “Vale Tudo”, que desde a saga de Odete Roitman só escreve a mesma história.

Cansado desse "blá, blá, blá" que fazem parte de todos os noticiários e da internet, o povo buscou uma alternativa e mudou de canal. Em vez de transformar “Babilônia” numa ótima história de amor, o autor e seus colaboradores continuaram tentando transformá-la numa nova saga da vilã-mor de "Mrs. Roitman", piorando a história cada vez mais. Daí o sucesso da trama bíblica da Rede Record, que é bem produzida, diga-se de passagem, mas seu elenco... Esse se esforça (risos!).

E “A Regra do Jogo”, que só por levar a assinatura do inovador João Emanuel Carneiro já merece ser vista, traz uma trama bem montada e sequências que nada deixam a dever às séries policiais que tão bem retratam o submundo dos becos dos bairros mais pobres de Nova York. Ah,existem falhas? Mas é claro que existem, afinal,estamos falando de uma obra de ficção. Mas os furos notados até aqui não maculam a obra, que até agora está no caminho certo.

Com uma novela inédita,inteligente,coerente e contada em velocidade máxima,João Emanuel Carneiro ainda tem muito fôlego para escrever seus capítulos! É só esperar! A Rede Record deve aproveitar bem sua maré de sorte tal qual fez a Rede Manchete... "Pantanal” foi uma em mil... "Os Dez Mandamentos” também merece seus quinze minutos de fama.
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André Araújo é um apaixonado por novelas. Tanto que ele escreve algumas por aí e publica pela internet, arrebatando fãs e distribuindo inspiração. Da cabeça dele já saíram grandes personagens. Entre as novelas virtuais, é autor de "Uma Vez Na Vida! e "Flor de Cera", que será lançada em breve e tem até grupo no Facebook - neste link.
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