terça-feira, 24 de março de 2015

A melhor telenovela no ar no Brasil não é brasileira

Milton Figueiredo
Atualmente são exibidas no Brasil 16 telenovelas. Ao contrário do que se vê em pesquisa no Wikipédia, a telenovela não é um produto criado em Cuba, mas é um gênero televisivo criado no Brasil, sendo adaptado das radionovelas (que nasceram em Cuba) e dos Teleteatros exibidos pela primeira emissora brasileira, a TV Tupi, entre 1950 e 1951.


Sendo um produto genuinamente brasileiro, sendo o país que melhor produz este produto para a TV, o país que tem mais prêmios Emmy Internacional de Telenovelas, não é a que exibe, atualmente, e vamos falar das novelas inéditas, a melhor telenovela atualmente.


Vejamos como está o quadro de telenovelas sendo exibidas até o dia de hoje. A TV Globo exibe “O Rei do Gado” (terceira exibição), “Malhação”, “Sete Vidas”, “Alto Astral” e “Babilônia”. “Maria Esperança” (terceira exibição), as mexicanas “Coração Indomável”, “A Feia mais Bela” (mexicana em sua segunda exibição), “Chiquititas”, “Carrossel” (segunda exibição) vão ar ar pelo SBT. A Rede Record passa a exibir a partir de hoje “Os Dez Mandamentos”. A TV Bandeirantes leva ao ar a primeira produção turca a ser exibida no Brasil, a novela “Mil e Uma Noites” (no países de origem foi apresentada como série em três temporadas). No Canal Viva, da TV por assinatura, os assinantes podem assistir novamente “O Dono do Mundo”, “Tropicaliente” e “Pedra sobre Pedra”, além da temporada 2003 de “Malhação”.
 

Bom, já que não são as novelas brasileiras as melhores em exibição, só restam as mexicanas e a turca. Porém, não posso julgar ainda “Os Dez Mandamentos”, pois nem estreiou (mas eu acredito que será mais uma que vai apresentar mais do mesmo se tratando de produções bíblicas da emissora do bispo Macedo que deveria ser uma série, e não telenovela. E por que não telenovela? Porque telenovela é caracterizada por ter, necessariamente em sua essência, um casal )os mocinhos protagonistas) que viverão um amor impossível durante toda a novela sendo impedidos por um vilão ou vilã que no último capítulo é vencido e os pombinhos podem, enfim, ter um final feliz.
 

Voltando a falar da melhor telenovela sendo exibida, descarto as produções mexicanas exibidas pelo SBT e originárias da Televisa. Eu diria que “Coração Indomável” seria a segunda melhor telenovela. Acompanho a trama pelo Netflix, já estou para ver o capítulo 102 (dos 162 capítulos). Apesar de ter belas características originais do folhetim, do qual a telenovela carrega traços, a telenovela é repleta de falhas no texto, mesmo sendo um remake de uma das telenovelas mexicanas que mais gostei, “Marimar”.
 

Enfim, a melhor , na minha opinião, é a novela turca da Band, “Mil e uma noites”. Nossa, “corror”, você deve estar pensando. “Comassim”? A novela não tem nem 5 pontos de audiência no ibope! E eu te respondo: e quem disse que uma novela pra ser boa precisa ter 40 pontos de audiência, como as novelas das 21h da TV Globo? Exemplo disso temos a brasileira “Lado a Lado” (2012-2013), das 18h da platinada,q eu não teve uma boa audiência, mas que era ótima! Tanto que desbancou a famosa e exitosa “Avenida Brasil” no Emmy. Acredito que o que foi julgado foi a estrutura, a narrativa, e não o sucesso.
 

“Mil e uma noites”, que aqui nos é apresentada como telenovela, mas como já disse, foi uma série turca em três temporadas (29 episódios na primeira temporada; 36 na segunda; e 24 na terceira) e carrega tudo aquilo que uma telenovela tem que ter, embora não apresentou ainda, se há um vilão ou vilã que irá atrapalhar o romance dos protagonisas. Mas, se vê que o melhor amigo do protagonista, e a melhor amiga da protagonista, bem como outros personagens já começam a mostrar suas garras e tudo o que fizerem poderá separá-los, embora já estejam desde o primeiro capítulo. Onur pagou 900 mil para ter uma noite com Sherazade. Isso porque ela é uma vadia? Não! Ela precisava do dinheiro para salvar o filho da morte. Esse era o preço da cirurgia que a criança precisava fazer para se salvar. Quem é mãe sabe melhor que eu que tudo é possível ser feito para o bem-estar dos filhos.
 

A novela, sucesso em muitos países, desbancando inclusive “Amor à Vida” quando exibidas no mesmo horário em emissoras diferentes, apresenta um texto e cenários simples, um romance que a gente torce para acontecer: para que Sherazade perdoe Onur por ter sido um babaca a oferecer, sem perguntar para que ela precisava de 900 mil emprestado, e que agora está apaixonado e sofrendo por ela, e por saber que seu melhor amigo também a deseja e não medirá esforços para tê-la nos braços.
As telenovelas brasileiras, pegando exemplo em “Babilônia”, têm deixado de lado as características primordiais para manter viva o gênero. Um amigo da faculdade dizia que não assistia novelas porque são todas clichês, que a gente já sabe tudo o que vai acontecer. E eu dizia que é isso mesmo, novela vive de clichê. 


“Babilônia” apresenta três protagonistas em que duas são vilãs, e têm mais destaque que a mocinha (chata, boba, irritante e insossa interpretada por Camila Pitanga). Parece que perdemos o interesse pelas mocinhas batalhadoras, generosas no Brasil. Realmente se tornaram idiotas frente a um país em que quem tem essas molduras vive na miséria. Vemos, pelo cenário político, que é mais interessante passar a perna em todo mundo, que vale tudo para ter boa vida. E telenovela é fantasia, é ficção. 

Os autores brasileiros estão tão interessados em discutir temas e abordar assuntos que possam mudar o pensamento que de esquecem de levar esperança aos nossos corações, de que no final tudo vai dar certo, tuo vai ter um jeito. O que acompanhamos foi um bando de vilões (Carminha e Félix) que passaram a ser mais ovacionados que os mocinhos e tornando-se protagonistas, até que temos as duas declaradas protagonistas vilãs, Beatriz (Glória Pires) e Inês (Adriana Esteves).
 

Troco meu reino em Nárnia por mais novelas brasileiras parecidas com as das décadas de 1980 e 1990 sendo produzidas e apresentadas na TV brasileira. Ou então, é melhor mesmo assistir aos enlatados americanos e as novelas estrangeiras exibidas no Netflix ou SBT e Band. Salve “A Usurpadora”, que tá chegando de novo, acho que pela quinta vez!

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Milton Figueiredo é jornalista formado pela Unilago de São José do Rio Preto (SP), atua como assessor de comunicação da Mitra Diocesana de Barretos. É técnico em Gestão com Ênfase em Rodeio, roteirista e diretor dos concursos de beleza Mister Rodeio Brasil e Musa do Rodeio Nacional. É editor de conteúdo do Blog Barretos.
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